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22 de novembro de 2013

Poesia Paralela

Projeto Poesias Paralelas - Arrancar novas possibilidades de músicas consagradas, alterando significados, mantendo o lirismo e sugerindo com clareza as referencias clássicas!

13 de dezembro de 2010

Estudando...

Veja as coisas como são em realidade, veja as coisas como são...
Se atente com os olhos calmos, tudo se revela...
As estações, e todas as primaveras...
Tem inverno e verão... Outro ano, nem outono se percebe!!
Nem tudo são espirais perfeitas, tem espaços vazios no castelo!



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Quem empurra a vontade é o estomago...
Quem fabrica os sonhos, é a máquina...
São as fadas, prisioneiras da mecânica!
Os desejos se acorrentam à verdade...

Quem decreta o sonho, é senhor da realidade...
Quem se deita com mistérios, por inteiro não se revela...
Quem ensina o pensamento é a matéria.
Quem muito tranqüilo se deita, tem a dispensa completa

Quem alimenta as fantasias, é o concreto do dia a dia
Quem domina seus impulsos é o instinto...
Meu menino, quanta bobagem te disseram no colégio!

Que vontade, que sonho, qual a fada te acompanha?
Que desejo, que mistério, pensamentos... que miséria
Meu menino, poesia é da morte, o sacrilégio!



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Estou triste meu amigo, estou triste e sei que passa!
Estou mesmo sem a graça do sorriso, sem a massa preparada!
Meu sentido já não sabe o que deseja,
Nem o que desaba
meu gracejo não dispara meia bala!
Estou sem jeito de palhaço, sem meu circo!
Sem amigo, vou dormindo nessa praça!
Não respiro, não espero...
Sem mistérios acabo o livro, encerro a peça
Estou mesmo desistindo meu cumpadre, estou atormentando os pombos!
Desanimado... nem é tédio, não é mágoa
Assim, como quem cruza os braços,
Ou assim como quem acusa a colombina...
Nem sou grande nem pequeno, e não caibo no quadrado!
A família se enquadra num retrato!
Estou triste meu amigo, e sei que é primavera...
E muitos se enamoram pelo pátio!
Meu castelo dissolvido no boteco!
Estou mesmo arrasado, fortalezas rebaixadas sem um tiro...
As bandeiras desbotadas, as fadas despedidas...
A ultima nota da musica invisível...
Insensível a epiderme se enruga
Tartaruga que se fecha ao ataque
Maquiagem que derrete... Eu desmaio!
Sou a sombra de alguém que baila, sou a jaula!
Estou mesmo em desconsolo, sem camisa pela neve!

Me entorpeço... me esqueço, essa é a minha vontade de derrota...
Quanta coisa se perde em absoluto!
Quanta coisa...


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Grande força de vontade demonstraste meu menino...
Que vergonha pra família, que falta de verdade!
Te ironizo com o desprezo dos mercados, te escravizo! sou o padre!
Não me importa o seu choro de covarde,
não me importa sua dor de perdedor, sua historia esta manchada!
Deves saber que vida é curta, e que sua passagem foi medíocre,
Nada que valha a pena, sua imagem é vazia, invisível à valores.
Tenho nojo impossível, não encontro mais palavras...




Preparo o ambiente, acendo as velas e os incensos,
Visto a roupa mais bela, meu traje mais elegante,
Arrumo a gravata e o chapéu, desço a mão em respeito,
Coloco a mesa, os talheres, o pano!

Meia luz para meias verdades, o vinho na temperatura do frio!
A multidão silencia no pátio,
Tudo transpira, eu acalmo o coração palpitado!
Respiro em busca de inspiração, medito!
Buda me dita uns versos, escuto outros provérbios!

Meus ombros trafegam na névoa, assim que eu me distraio!
Outro gole no gás amargo, outra grande idéia morrendo sem rastro!
Meu cigarro se apaga sem memória...
Desfaleço, cambaleio, não sou destro!
Me tropeço sem amigos, não me meço...
Quem merece toda a água de meu pranto?
Quem merece o meu lenço ensopado?
Quem merece minha chaga, minha mágoa, minha história!?
Quem merece minha ausência dolorida, minha dúvida abstrata, a vontade absurda!
Quem espera que eu seque suas lágrimas? Quem impede?
Quem me pede um abraço?

Quantos rostos cabem em meu álbum, quantas pernas caminharam em meus versos!

Quanta trégua conquistada sem a guerra, quanta chuva acumulada, quanta neve!

Tempestades, sem estrelas... não me espere!

O tempo anoitece em meus olhos, acendo a fogueira, cadentes os astros me atropelam!


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Quem bate à porta?
Quem?
Atendo com alguma ressalva, com algum pressentimento que hoje a felicidade vem me buscar! Quem?
Quem do outro lado me espia!? Pelo vidro cristalino alguém me espreita! Tiro a roup, desço o pano, cai a chave pela fenda!
Me desvenda!
Quem?
Quem atende o telefone, outra voz além da minha!
Minha tenda!
Vem descendo na garrafa de meus dias, vem trazendo desbotadas melancolias!
Eu abri a melancia quando à água me benzia!
Assim, sacerdote Malaquias vem à porta!


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18 de abril de 2010

Tudo que escrevi quando ainda estava em rascunho...

Tudo que eu escrevi quando ainda estava em rascunho, mas como não tenho ainda nenhum compromisso com o mundo das publicações acabadas, deixo apenas que as bombas explodam sem nenhum sentido!

E ninguém paga o preço de nada... então vou aguando essas flores murchas até que apareça um fruto maduro, retorcido, resistido aos incêndios de qualquer intempérie...
Vou deixando assim, qualquer tipo de rastro... Sem nenhum conforto, como os rabiscos que já não nascem dos teclados... mas são dedos urgentes, desesperados...
Deixo aqui mais uma passagem, um portal aberto para essa alma que ninguém percebe...
Qualquer indigente de espermas mortos!





Eu venho daquele antigo império,
em que os poetas traziam no peito a bomba que explodia orgasmo!
Sou amigo do mago Gepetto, assim como Merlin me ensinava...
Zaratustra me convidava para chás em sua caverna...
Tenho laços na família dos Centauros...
e as Ciganas apaixonadas, erguiam as saias em minha passagem...
Tenho a barba crescida dos velhos profetas...
Em meu ombro se espalham as lástimas de Iscariotes...

Tenho uma flor para cada guerreiro... cortesãs em veludo eu avassalei...
Aprendi o truque sinistro da eternidade... me embebi deste drink desinteressado...
Mas a fome é destino certo, para diverti-la vendo a força de meu trabalho...
A fadiga dos indigentes me é indigesta...

Hoje, para distrair o tempo, me aposentei num mosteiro...
E um velho circo aluga meus passes perfeitos...
As famílias se divertem com estatuetas que falam...
Sou eu que as controlo colocando-as no colo... como os ventríloquos!

As partículas do tempo são capturadas em meu puçá feiticeiro...
Minhas aurículas se divertem ao som da fogueira...

Entrego os pontos... desisto... já não esforço o poder dos músculos, e desfaleço!!!
Confesso que o tempo já não possibilita o meu sucesso...
E essas máscaras desconfortáveis já não disfarçam o meu fracasso...
Já não insisto... Anuncio sem zelo meu desespero...
Que em seu reflexo denomina-se de suicídio!
O fundo do poço me é agradável, é meu estábulo!

Venho da espécie dos derrotados...

Ergo a taça... derramo no átrio o sêmen desgasto!
Vou me arrastando pelos botecos...
Sou o medo das donzelas que se assustam e trancam as velhas vidraças...
Venho com o orvalho, ou com a noite que te embala....
O pesadelo que acalma as raízes podridas...
Sou o vestígio do sangue símio que lhe persegue...
A derrota que embota as vestes vencidas... e lhe surjo às trevas...
Que lhe sugere, que suja...

Vou me embolando aos ébrios do cemitério...
até que surja no horizonte uma estranha coruja...
Até que seja atendido o desejo...
do velho gênio que apodrece numa garrafa miúda!

E desfaleço, a memória imunda que me esquece!
Me embriago, por trazer por debaixo do manto esse macaco escondido...
Por ser perseguido pelo feromônio
Solto os gorilas... Deixo que estraçalhem as muralhas perfeitas...

Sou aquele mesmo que foi tragado pelo fracasso!
Deitei na neve, afoguei os navios fantasmas...
Metralhei as fadas já desgastadas que agora dormem num puteiro de estrada!
Os unicórnios, cansados, se desfalecem no estábulo, amamentando as gordas muchachas dos capitalistas...
Já os duendes, esses safados são individualistas como um porco capado!
Eu os detesto!

Fervo a água, desmembro a flor... esculpo o presépio!
Arrebento a corda que me prende a essa fornalha...
Não sou de ferro, e tinha uma pergunta que me assaltava sempre que a onda invadia a praia...
Até quando vou fugir desse naufrágio inevitável!?
Já não fujo... já não disfarço. Sou a bomba explodida, sou o fracasso...
Sou a esfinge desvendada... sou o mistério interrompido... a freira estuprada...
Venho da espécie dos humilhados, dos feiticeiros aposentados em circos gaiatos que vagam pelo interior...
Faço sim, uma flor crescer em su palma... ergo um pequeno jardim nos olhos dos desvalidos.... mas entre migalhas reina meu totem desprevenido!
E já me assaltam as últimas bestas do apocalipse...

Sou a réstia dos elementos, o fim do pensamento dos druidas...
Sou a peça desnecessária para o bom andamento dos negócios...
Sou o ócio em figura... sou a formosura desnecessária...
Por isso tropeço nas últimas letras...
Por isso não peço que me respeitem...
Sou o dicionário do analfabeto... o predileto dos dinossauros...
Minha mágica combina-se aos truques do velho Merlin... aposentado!

Não vu fugir de meu fracasso, ate quando a derrota será um fantasma...
Não me persegue mais... eu lhe abraço...
Venha a mim o reino dos derrotados...
Envelheço meus membros num velho boteco...
Peço cachaça, e envileço com manchas sebentas em meu encalço!
Já não me esforço, desisto do mundo como pelo avesso...
Atravesso a fronteira do tempo e me desfaço!
Trago as partículas do espaço, assim como dos elementos,
minha matéria é a mesma que te origina...
Não me abomina as raízes do vento!
Tenho a memória gasta de um porto cabello!
Tenho os joelhos tortos como garrincha!
Tenho labirintite!
Venho do reino dos minotauros... decapitado do céfalo profundo!
Venho trazendo os temperos adultos...
Não tenho amigos, estão aposentados num labirinto...
Nem familiares... estão pelos bares ou em absinto”!
Não tenho prestígio... apenas o vírus que me invade,,,
A gripe que me succiona





Cafajeste...

Arrumo com brio meu bigode retorcido, faço a barba e me visto de terno listrado...
Deito colônia em meu peito desnudo... e vou para a rua, caçar por donzelas enriquecidas...
Lanço o perfume de meu hormônio, tenho a pele lisa de tanto desejo...
Tomo um banho, e me masturbo, espalho o esperma na epiderme já ressequida...
Deixo o cheio da vida penetrar pelos poros... assim eu caminho pelas calçadas...
Olhares me perseguem, eu levito!
Minha navalha percorre os detalhes do decote de seu vestido...
Cheiro a orvalho... Solto o cavalo no pasto, que persegue a fêmea no cio!
Deixo limpo meu olhar sincero, desejo apenas o seu orgasmo!
A ele eu venero, sei bem o que quero...

Contemplo seu templo... Esvazio meus bolsos de oferendas...
Tiro a roupa sem peso, como dizia, levito... sou apenas sincero!
Vou caminhando a seu encontro, vou deslizando meus dedos...
Beijo o disfarce sem desconforto,
Mordo de leve seu metatarso, de leve...

Sou velho bárbaro, minha barba escondida ainda me entrega...
Sim, tenho tártaro... sou feito de barro ainda sem sopro divino!
Feto prematuro!