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11 de março de 2016

Como Adão treinando cães no paraíso

São ciganos, são artistas, clandestinos,
São mambembes, saltimbancos, bailarinos.
Vagabundos, bandoleiros, nordestinos,
Menestréis, bucaneiros, libertinos.   

Imigrantes, tuaregues, beduínos.
A barbárie! - Como aves, cantam hinos.
Andorinhas ancestrais, são andarilhos!
Coletores, caçadores, são os índios.
Otavalos, artesãos, fora dos trilhos!

Forasteiros, estrangeiros, peregrinos,
Dessas tribos de turbantes, caminhantes,
São piratas, são mendigos.
Navegantes sem lanternas, sem abrigos.

São os filhos do deserto, da desgraça, do destino.
Desterrados, refugiados, foragidos.
Assaltados pela fome, pela peste perseguidos.
São gerados pela guerra, hecatombes, cataclismos. 

No Egeu afegãos são afogados,
São os Sírios assaltados na Turquia.
Palestinos perseguidos qual judeus em 39
São antigos Iugoslavos...
Zapotecas de Oaxaca em nove quatro.
Coloridos atravessam Colorados,  
São os negros Louisianos agredidos!

Os que passam, que não ficam...
Os que voam como pipas num ciclone,
Que salpicam-se do ninho como pássaros e
Como nuvens de fumaça se duplicam
Que passeiam sobre o pasto e não ruminam!

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Todos... todos esses que hoje batem minha porta
Que golpeiam com seus cascos, minha terra
Que se brotam como flores no inverno
Como esporos em diáspora, como expurgo
Uma bagunça, uma baderna...

Tumultuam minha Londres tão tranquila,
Aborrecem os limites de meu burgo pós-moderno!
Como hunos cerceando minha Roma que cochila!

Eu martelo mais um prego no palanque
Faço cercas mais espessas, armo o rifle
Eu protejo o Partenon para meus filhos
Cavo fossos mais profundos, como abismos.
Ergo muros, abro valas, meto balas

Em meu Éden, purifico minha pele
Meu genoma preservado num console
Como Mickey defendendo seu castelo
Rapunzel cortando as tranças no refúgio...

Dou risadas, sou o branco que gargalha
Sou o braço que humilha!
Esfregando a genitália na pereba
Desse Lázaro horrendo que trabalha.

Como Adão treinando cães no paraíso
Preservando o bem viver em meu jazigo
Minotauro, como Trump, bem nutrido em labirinto
Assistindo com orgulho o suicídio
Dessa parte, ser humana, que me habita.

24 de outubro de 2015

Sendo imbecil!


Eu enfim, pus-me esta meta:
- Desejo assim, ser melhor que isto
que sou hoje, e fim! 
Ao menos mais que um inseto!

Não sendo profeta e nem cometa,
Sei não ser estrela nem atleta,
Distante de perfeito, sou incompleto!

Escolha não me resta!
Pego da caneta e risco um verso,
Aperto um parafuso, franzo a testa.
Faço uma faxina na oficina, 
Me rabisco em linha reta...
Rascunho de obra-prima que nunca se pariu!
Natimorto feto!

Ergo obeliscos... 

Hoje, enfim, pus-me esta meta!
Ser melhor que isto que sou eu...

O dia em que me vi sendo imbecil!




26 de setembro de 2015

My mother's tears

As a child, I didn't quite understand...
When on mother's day...
Or even, any other day,

For any colorful card,
A twisted ribbon bow paper,
A poem without rhymes,
Well known melodies, sang out of tune,

Or anyway, for any reason...

Emotional, her eyes watched me...

Tiny steps, big discoveries...

Soaked eyes, speechlessly smiled...
And I know that deep down, also applauded me
On the spot light, stage of life, my little kingdom...

But for a boyish soul... I confess, did not understand

Confused, I asked myself... All that crying, was it necessary??

Finally, my time has come... And today, when rocking my son,

Even in his sleep, I cry

The same old tears, that flow in the same rivers...
That dress my eyes with sparks...
That come out for the same old reasons...

And behind that awkward, out of tune weep...
There's a tired longing man, wounded, quiet...
That does exactly what was thought... Repeats the cycle of life...

Educates, recitals, calculates, meditates...

Takes a deep breath in respect to time...

My son, beautifully grows...
Already teaching me to cry...
The same tears that still resides
In my mother's eyes.

(Tradução: Alice Campello)

Mammoth and Lovers


Writing I was about mammoths, concentrated in my thesis!

In my bedroom, night light on, tired, forcing a rehearsal!
Mammoths, pachyderm? Something like that, such abuse!
At last, breaking the walls , it appears to me. So rare!
There it was, omnipresent knocking down the house!
Re twisting each page of my essay with its ivory...

Well, Impossible to go through with my studies!
There it was, so present! Saucy!
Write about the mammoth, How could I...
When stomped by it!

Writing I was about lovers, concentrated in my thesis...
Such a delicate subject!
Frightened, I lock the doors!

25 de setembro de 2015

Coragem!
















Foto: Sebastião Salgado

The happiest dad in the world

Today is his day, at least that's the way I fell!
Day of my son to make me feel like a hero!
Not the kind that shoots lasers or wear colorful capes,
But the every day hero, the one that holds his hands when he falls,
And explains the world as if I have made it myself!
The day to realize that, the boy, expects of me, the best!
Being that my duty... I shall give him beyond incredible!
A day to understand that the little one will follow what I show him:
How to love a woman, his mother. To feed the dog, to be good, to meditate...
In each word said, he'll find symbols of who I am,
The marks on my hands, the weight of my love!
Day of this boy to make me reflect
About each detail, word and moment...
I catch him doing things I did yesterday,
Maybe the biggest lesson I pass on is... To be happy!
The direction pointed by the pathway once traced,
And any explanation of rockets, love, dinosaurs...
He will trust completely in everything, even if some expert tells him different,
He will say that the expert is wrong!
The courage of this son of mine, his boldness, his articulation...
Comes from knowing that he can peacefully throw himself in space,
Secured that underneath him, supporting him, will be two arms,
And an entire man!
Today, the messy little thing with sparks in his eyes, who is asking to be carried
Doesn't quite know that I arrive home tired at the end of the day,
He still expects the same goofy and friendly word.
And I find the last bit of strength, that was protected and reserved to my son,
The tiny drop of time for his tiny thirst...
And it takes just a little snuggle, playing like a silly clown and some crazy dancing,
Laying on my back to be his horse, till that hiccup laughing!
Soon, tired he is, falls asleep still smiling...
Today is my day. To thank my son,
For making me be the happiest dad in the world!
My heart is pleased! Thank you very much!
PS: Dedicated to you, my little Benicio. Today is almost father's day and you are only 1.5 years old
with an eternity ahead of you where you will always be my best FRIEND!
I know one day this won't be like this due to natural disagreements typical from young adults. The time will
come where you will trace your own footsteps, make mistakes, challenge limits, and create your own planets...
Our notebook, forgotten, ripped... But after all the fuss... Here will still be the same two arms,
the man and his entire heart, waiting and longing for your hug!
I don't want any gifts, really, all I want is your smile and happiness. Same goes to your mom, always so beautiful!
Kisses, my son!

7 de agosto de 2015

O Pai mais Feliz do Mundo



Hoje é o dia do filho, essa verdade que sinto!
Dia do filho fazer-me sentir herói!
Não dos que lançam raios ou de capas coloridas,
Herói dia-a-dia, que dá a mão quando cai,
Explicando o mundo como se eu o houvera feito!

Dia de saber que o menino, espera de mim, o melhor!
Sendo esse o meu dever... darei além do incrível!
Saber que o pequeno segue os exemplos que dou:
Amar a mulher sua mãe, alimentar o cão, ser gentil, meditar...
Em cada palavra dita, há símbolos de quem eu sou,
As marcas de minha mão, o peso do meu amor!

Dia desse menino fazer o pai refletir
Sobre cada detalhe, palavra, momento...
O flagro fazendo o mesmo que ontem eu fiz, 
Exemplo maior que lhe dou, talvez seja ser feliz!

A direção apontada pelos caminhos marcados, 
Qualquer explicação de foguetes, amor, dinossauros...
Confiará plenamente e em tudo, mesmo que algum doutor diga o contrário,
Ele dirá que o doutor está simplesmente errado!

A coragem desse meu filho, a ousadia, o desembaraço,  
Vem de saber que pode lançar-se tranquilo ao espaço,
Sabendo que lá em baixo, sendo sustento, estarão dois braços,
Um homem inteiro sendo seu calço!

Hoje, o rapazote faceiro, de brilhos nos olhos, pedindo por colo
Nem imagina que chego cansado ao final do dia,
Espera sempre a palavra suave e amiga. 
Eu busco a última força, reservada para meu filho,
A gota de tempo, para sede tão pequenina...
Basta um embalo, fazer-se palhaço, dançar bem maluco,
Deitar-me de bruços sendo cavalo, gargalhar aos soluços!
E logo cansa o menino, adormece sorrindo e cansado...

Hoje é meu dia, do pai agradecer ao filho, 
por fazer-me ser o pai mais feliz do mundo! 

Meu coração agradece! Muito obrigado!






PS: Dedicado a você, meu pequenino Benício que hoje, nas vésperas do dia dos pais, tem apenas 1,5 anos e uma eternidade pela frente para ser sempre o meu melhor AMIGO! 

Sei que um dia, nada disso será tão verdadeiro, pois há a rebeldia natural do jovem, o tempo de seguir seus próprios passos, cometer os erros, desafiar limites, criar seus próprios planetas... O caderno rasgado e esquecido... Mas depois dessa folia... ainda estarão os dois braços, o homem e um coração inteiro, aguardando por seu abraço! 

Não quero presente, de verdade mesmo, somente o seu sorriso e sua alegria... Assim como de sua mamãe sempre tão linda! Beijos meu filho! 

16 de maio de 2015

Envelhecendo!

Para a mente infantil, o novo é um encantamento
Para a jovem, um potencial
Para a madura, um desafio
Para a mente velha, o novo é uma ameaça!



17 de abril de 2015

O Choro de mi Madrecita

Eu, criança não entendia...
Quando no dia das mães...
Ou mesmo em qualquer dia,
Por qualquer cartão colorido,
Qualquer laço de fita de papel pardo enrolado,
Qualquer poema sem rima,
Jogral desafinado, cantiga já conhecida...
ou seja, enfim por qualquer motivo...
Emocionada seus olhos, miravam esses regalos
Passitos e aprendizados...

Seus olhos molhavam, sorriam, calavam...
Eu sei que no fundo, me aplaudiam
Naquele palco da vida, meu pequenino reinado...

Em minha alma de niño... confesso, não entendia
Confuso me perguntava... tanto choro, seria assim necessário??

Meu tempo chegou... e hoje, embalo meu filho,
E mesmo quando cochila, eu choro
As mesmas lágrimas, que vertem nos mesmos lagos...
Que vestem meus olhos em brilhos...
Que saltam aos mesmos motivos...


Por trás do choro desafinado...
Existe um homem cansado, saudoso, ferido, calado...
Que assim como lhe ensinaram... repete o ciclo da vida...
Educa, recita, calcula, medita...
Suspira profundo em respeito ao tempo...

Meu filho que cresce tão lindo...
Me ensina o choro que habita
Nos olhos de mi madrecita...


16 de março de 2015

Um esporo, um espirro!

A história na vitrine da retina, titubeia...
A lerei inteira...

Desenrola na vitrola, melodia em devaneio
O ouvido sustenido se enamora...

Muito embora esquecido, um lampejo de alegria
faz centelha na lareira do desejo...

Um cavalo salta as tábuas do estábulo
Uma fábula faz as malas... eu viajo!

Um esporo faz-se espora na narina...
Eu misturo um suspiro com espirro...

Cataratas, Catarinas...

São as mágoas...
como magos a fundar nos fungos
Alicerces de impérios oblongos e obtusos...
Impropérios...

Vou embora…

Desmembrado, retorcido,
Emburrado eu solto risos... nada acaba... nada acaba...
Abracadabra...


9 de junho de 2012

A história da cabeça que fugiu dos pés!


Criança! Ouça que história mais linda... e louca!

Certa vez, varias sementes, de muitas formas e cores, foram espalhadas sobre a terra. Muitas espécies buscaram sobreviver com muito esforço.

Foram crescendo, como podiam, desenvolveram-se com habilidade, persistência e muita estratégia!

Cada uma elevava-se o máximo que podia, estendendo cada galho ao céu mais infinito!
As grandes árvores exibiam galhos cada vez maiores e altos, mas à medida que cresciam, afastavam-se uma da outra, já que a terra é uma esfera!

Não entenderam? Então eu explico:

No início, os troncos mais altos, pareciam crescer bem paralelos, mas quando eu olhei lá do espaço sideral, percebi que cada cabeça, de cada árvore, estavam mais longe uma da outra! Assim, ficou cada vez mais difícil para que elas pudessem trocar ideias.

No inicio gritaram muito, mas uma já não escutava a outra e foram ficando surdas e mudas... Que pena, parecia agora que já eram independentes e não precisavam mais uma da outra. 

As cabeças estavam muito, muito, muito, muito longe mesmo!

Elas seguiram em direção ao espaço, velozes, imponentes, o que fazia piorar muito mais o dificultado diálogo, já que o som não se propagava no vácuo!

Mas sei que para cada centímetro que uma crescia para o alto, outro centímetro era necessário que crescesse para baixo, garantindo a cada uma, as raízes fortes para sustentar o equilíbrio e a resistência que se exigia para as tarefas do desenvolvimento!

La no fundo, sob a camada espessa de folhas, no escuro, junto aos insetos, as raízes iam crescendo para dentro do coração da Terra, e ao contrario das cabeças, aproximavam-se sempre e a cada momento, porque caminhavam em direção ao centro.

Cada passo para o alto, exigia um passo para dentro, só assim podiam crescer mais... E assim foram convergindo para um mesmo ponto, até que seus pés profundos tocaram um ao outro, emaranhando-se num outro tipo de diálogo, sem palavra, mas com sentido, com uma alma antiga que lhes beijava... Um abraço carinhoso e amigo. Amalgamaram-se!

Formaram ali, naquele instante, um mesmo abrigo que fez nascer um umbigo na barriga de cada menina e menino, que são os frutos dessas árvores antigas, que agora, pede que cada um cresça também, mas lembrando que para cada passo para o alto, devemos também dar um passo para dentro, como as grandes árvores antigas, que mesmo mudas, conversam contigo e comigo!

Agora vamos lá para o pomar, comer jabuticaba e batucar uma cantiga!


PS: Assim também são os amantes, que quando crescem, pode ser que se distanciem pelo desenrolar dos fatos que a vida exige, calejando os caules, mas suas raízes precisam estar emaranhadas para que um mantenha o outro aquecido sempre num abraço cheio de amor e ternura!

"Essa história é para minha querida e amada Adriana Vilczak, que é minha árvore cheia de vida, mas que agora vai distanciar-se por um momento! Agradeço pela sabedoria que tivemos no momento em que estávamos cultivando raízes bem profundas!!!"

12 de dezembro de 2011

Dr. Jekyll: Pb > Au


Persiste o Etrusco no sangue bruto,
Busca a resposta encravada em dupla
Hélice. Bruxuleia alquímica lanterna,
A mirada assusta se o estribo vibra ao sinal que escuta:
“- Bebe do cálice!”

A epiderme grita ao escorrer nas coxas
A matéria amorfa que precede a vida
Nos belisca a garra da tragédia humana,
Odalisca afrouxa o quadril que dança!
“- Suga da música!”

Castiga a torre, cede o castelo, o desejo clama!
Quando o passo cansa e o olhar embaça,
Força-te ao braço que sustenta o barco! Surgem escamas...
Incendeia a flecha que te alveja o corpo!
“- Deja la máscara!”

O uivar lupino vem oportuno acender a chama.
Balançando o berço, o acalentar tranqüilo
que amamenta Roma... Meu cavalo escuma
e pisoteia o pasto. Rodar a fortuna com a mesma pata! Carmina Burana!
“- Dispa da túnica!”

O tambor palpita ao sopé do abismo, aborígenes
Caçam marsupiais dos istmos. Unem penínsulas
Ao continente. Usurpa ao urso ou ao lagarto
A língua bífida! Descer degraus na escala ígnea...
“- Cava um buraco!”

Beija ao inseto, maneja a célula, retoma o mapa
Do elemento químico, controla o átomo, fira a hemácia
Mói a molécula, maquia a face, modela a massa,
Retorne a sala do hotel. Tranqüilo... Ela não viu!  
“- Abra um sorriso! Dr. Jekyll”

9 de dezembro de 2011

Cavaleiro de Copas

Tiraste de Perseu o seu escudo
Do reflexo da medusa não tens medo
A coragem da inocência é o remédio
Contra a sombra abstrata do absurdo

Vieste em vestido de festa ao rochedo
Teu colírio jogas fora, não precisa.
Precipício abre a boca implorando
Sacrifícios seculares, tu cozinhas um coelho!

A leveza de seus passos é levedo
De cerveja aos monogástricos, brilha os pelos...
São fantásticos os fogos de artifícios

Que explodem quando passas em meu peito
A coragem que incitas quando brincas
Faz mais forte o pai que busca por emprego!

É minha filha a heroína do enredo!

Belo Monte

Tenho um vulcão de lava fervente
Comprimido num tubo de pasta de dente
É meu peito explosivo e palpitante
Picareta marretando a dinamite

Furacão que rodopia a cabeleira
Borboleta na neblina, Cachoeira
Represada, Belo Monte assassina
Tenho a fúria mal dormida e mal domada

Natureza dominada atrás da roupa
Confortável no inferno faço a barba
Trago poucos impropérios além da raiva

A beleza aprisionada na falésia
O pavio encurtado à navalha
A falácia alivia, mas não salva!


1 de dezembro de 2011

Gilliat e Deruchete


Naufrágios sao frágeis para seus braços,
Trabalha na gávea, na proa, no mastro, vai farto!
Confia Gilliat em seu esforço, assusta-se e dança!
Engole a onda, a longitude, lasca de lenha balança e
Durande, vapor velho, encalha um parto no vácuo...

Eterna ventosa lambe a chaga, labuta infinita
Chacoalha o oceano o casco da pança, gaivota...
A âncora engasga, em asma o fole, trapaça gravita...
Devaneia Deruchete no balanço, serenata na infância...
Persista!

Bonnie Dundee é conforto ao desespero. Sua herança
tem os nervos como cego nevoeiro, beija e cansa
Vai marinho, cavalgar a tempestade... toma as rédeas!

O herói deixou um marco em meu peito, como nódoa
Latejando de profícua lealdade ao que planeja, o marujo que gargalha...
Que suspeito ser o mesmo que trabalha... ou quem ara

Quem areja com esforço a sutileza desta terra, a natureza
Não aceita que marés devorem braços que operam...
Nada, nada, bate as asas, já sangraste em demasia pela praia
O castelo de areia cede ao vento mais eterno!


7 de outubro de 2011

ENTROPIA MONETÁRIA


Se a música me embala e a cantiga vem, me nina!
Se o cheiro do incenso me domina e a mágica me cala.
Assustado pelo álcool que embriaga, absinto em meu soluço!
É a droga que me fere e me fareja, quase minto!

Sabem sim, dessas mensagens tão sublimes
Que estudam-me os detalhes dos sentidos
Embaralham meu desejo a um abismo,
Gritam: - Salte! Por favor, não me maltrate!

Se a energia quando eu compro é cara, e
Quando vendo se traduz em meu salário.
Entropia monetária? Quem se apropria?

Obedeço a um principio claro!
Trabalho!

Minha força mede em joules
Perde-se em física jornada,
Contam horas de entrega e me pedem
Mais um samba, mais um trago

Mais um crime é cometido contra o caráter
Em minha tábua entalham leis com a chibata
Guardas me calam... Dai-me a cachaça!

Se o sino da igreja marca as horas nos badalos
Engana o padre ou o bispo, quando falo de pecados
Sendo a bíblia um engodo genocida, então me calo!

A fábrica marca meu tempo num apito
Meu patrão é um monarca, devo-lhe a vida!

Se as bandeiras da torcida se maltratam
E os dois times em verdade, são o mesmo!
Quem desejo ver metendo a mão na taça?

Na TV passa um programa apelativo
E como obvia reação eu me masturbo.
Dai-me mais dessa piada, somos o circo!
Cerquem soldados! Metam na jaula!

Meus instintos se enroscam nas esquinas
E como peixes, mordem iscas, eles me fisgam
E me desvio de mim mesmo, e me procuro!
Por mais que pense, quase macaco. Me domesticam!

Se os estandartes de minha escola descolorem
Ao perceber meu carnaval nascer do crime
Em quem confio?

Tudo que passa, cobre um pouco meu domínio!
Em meu pulso um relógio me retarda!
Raízes velhas, quase invisíveis são violadas...
Como faço? Como entendo tudo isso?

E o poema, como sai dessas amarras?
Sequestrado, preso em algemas! Arrebentado!
Sempre caio em armadilhas! Elas são lindas!

E a alma? Que resgate é exigido!
Como trago? Se a fumaça fecha os olhos de meus filhos!
Como toco aquela pérola escondida, no infinito?

Um represa se constrói em nosso rio!
Quase incêndio na floresta do instinto!

Se o universo trama e conspira...
E borboletas batem asas na Austrália
O que tenho eu, a ver com tudo isso!?
Se na Grécia, tem um povo que batalha
Tocam-me pedras Palestinas, vindas das fundas!

Se os búzios se contorcem no balaio e contradizem
O que sinto aqui no peito, bem lá no fundo...
E me revolto! Meio confuso!

Essas idéias vêm assim tão primitivas
E me assaltam bem de leve, como libélulas!
Me incomoda uma pontada dentro da carne
Vem perfurando minhas camadas, como um dardo
Em meu alvo... Em minhas células! Como um berne!

Sem mais silencio, nem se camufla... Me desafia!
Tal qual mística esfinge...
Dor de cabeça!

E o perfume da senzala regozija em minha alma e nas narinas!
E pela noite tem um cavalo se relinchando, solto no pasto!
Do oceano vem uma brisa... A tempestade!
Algo me diz que liberdade é mais que isso!

Mas o que faço?

Se a musica me embala... O álcool me embriaga... O meu time mete a mão na taça... Minha escola vai para o samba desinibida... Dança a mulata, decotes fartos... E meu sorriso faz-se sem pressa... Vai meu poema, cambaleado pela cachaça!

MORO NESSA CASA VAZIA

Eu moro aqui nessa casa
Vazia por certo, deserta!
Tenho água encanada,
Luz elétrica, comida farta
Isso me basta!

Tenho empregada doméstica
Que vêm todas as quartas
Livros que me distraem...
Samambaia plástica...
Faço ginástica!

Tenho bons filmes na tela

Vela para imprevistos,
Tenho carteira que como lábios
Pede amor por tele sexo!
Conto anedotas...

Aburguesado vou à balada
Derramo vodka
Com energéticos,
Sou mesmo foda e
Tomo remédios...

Minha família é um fantasma
Escuto trance ou tecno...
Me manifesto pela internet
Adoto uma árvore...
Sou agnóstico!

O operário da obra é brega... e fede!
Imprestáveis os que fazem greve!
Tenho nojo de quem sua, toda plebe!
Malditos sem-terra...

Eu xingo toda a gentalha!
Estaciono meu carro,
Faço plano de saúde...
Aciono o alarme...

Eu moro aqui nessa casa, vazia por certo!
Como meu cérebro!

28 de abril de 2011

Mamutes e Amores



Escrevia eu de Mamutes, concentrado em minha tese!
Lamparina acesa em meu quarto, bem cansado eu forçava um ensaio!
Mamutes, paquidermes? Quase isso! Que abuso!
Enfim, arrombando as paredes, aparece-me o tipo. Que raro!
Era ele, onipresente derrubando a casa!
Retorcendo seu marfim em cada página...

Bom... Impossível seguir meu estudo!
Ali estava, presente! Abusado! 
Escrever sobre o Mamute não podia...
Me pisava!
...
Escrevia eu de Amores, concentrado em minha tese...
Que assunto tão delicado!
Tranquei a porta assustado!

27 de abril de 2011

A Menina na Caverna



Entrei naquela caverna, ali uma menina
Chorava escondida, desesperada dizia:
- Meu tempo vai acabando, estou fria!
Desejei poupar-lhe de sua notícia-sina!

Voraz devorava o mármore! Seus caninos
e a gengiva em sangue mastigavam o vício.
Meu coração ouvia e badalava em sinos...
Búfalos em marcha sobre a derme de silício.

Deitei ali ao lado, uma cantiga fez a voz
Balançar em minhas cordas, que sem nós
Serviu como carinho, embalada ela dormiu!

Tenho pouco, quase nada! Mãos vazias, trago
Assim uma palavra, uma frase ou um fuzil
Meu abraço é abrigo a um amigo! Um afago!

Ou um tiro...
Meu refúgio é como exílio de naufrágios!
Ou um lírio!

26 de abril de 2011

O Eco, a Sombra e as Estrelas


Pouco tempo resta pra decidir a rota: - Capitão!!
Gritam: - Faz chorar a pedra! Essa é a tarefa!
Ampulheta que fratura a hora e dilacera a pressa!
Eis minh’obra dedicada à idade e a ilusão!

Vendo a memória, ninguém se interessa!
A cidade que ergo em meu verbo! Dédalo
Rasgando cada projeto e um beijo do objeto!
Resta uma dança para a despedida. Valso!

O anel ao dedo médio da menina mais sincera!
A escala domestica a fera, e meu lenço se encharca
de lembrança... Iço as velas, mordo as rédeas!

Encilharam meu cavalo, e meu nome vai bordado
Na bandeira hasteada, e meu eco acompanha o vento
Dorme a sombra, o instinto decidido berra: - Fica!