16 de maio de 2015

Envelhecendo!

Para a mente infantil, o novo é um encantamento
Para a jovem, um potencial
Para a madura, um desafio
Para a mente velha, o novo é uma ameaça!



17 de abril de 2015

O Choro de mi Madrecita

Eu, criança não entendia...
Quando no dia das mães...
Ou mesmo em qualquer dia,
Por qualquer cartão colorido,
Qualquer laço de fita de papel pardo enrolado,
Qualquer poema sem rima,
Jogral desafinado, cantiga já conhecida...
ou seja, enfim por qualquer motivo...
Emocionada seus olhos, miravam esses regalos
Passitos e aprendizados...

Seus olhos molhavam, sorriam, calavam...
Eu sei que no fundo, me aplaudiam
Naquele palco da vida, meu pequenino reinado...

Em minha alma de niño... confesso, não entendia
Confuso me perguntava... tanto choro, seria assim necessário??

Meu tempo chegou... e hoje, embalo meu filho,
E mesmo quando cochila, eu choro
As mesmas lágrimas, que vertem nos mesmos lagos...
Que vestem meus olhos em brilhos...
Que saltam aos mesmos motivos...


Por trás do choro desafinado...
Existe um homem cansado, saudoso, ferido, calado...
Que assim como lhe ensinaram... repete o ciclo da vida...
Educa, recita, calcula, medita...
Suspira profundo em respeito ao tempo...

Meu filho que cresce tão lindo...
Me ensina o choro que habita
Nos olhos de mi madrecita...


2 de abril de 2015

PÁSCOA - Rituais que se renovam com outras roupagens...

A páscoa cristã, assim como outras festividades cristãs, também tem origem nos rituais pagãos ancestrais que relacionavam-se diretamente com a natureza e o cosmos...

Ostara, (Easter em inglês significa páscoa)


também conhecido como Equinócio de Primavera ou Equinócio Vernal,celebra a chegada da nova estação. Esse festival celebra o dia em que o Sol,na sua migração para o Norte, atravessa a linha do Equador.

Ostara marca a data em que anoite e o dia são iguais e equilibrados em sua duração. Um dos símbolos de Ostara é o ovo, assim como o coelho.

O coelho é um animal sagrado para a Deusa Oster (palavra que significa “época de páscoa” na Alemanha), Deusa escandinava da fertilidade é Elaque que honramos neste dia.

Durante Ostara, a neve começa a derreter nos campos, os dias estão adquirindo mais luz e calor, e as folhas e flores começam a nascer.

Esse é um tempo de regozijo, dança, celebração. O inverno passou e nós sobrevivemos à aspereza dos dias mais escuros. A vida começa novamente. Esse é um tempo para plantar as sementes de nossa flor, erva, legume e jardins espirituais.

Que sonhos a serem fertilizados pela terra você plantará? Em vista a analogias no nome, simbolismos e época, queremos crer ter sido nessa antiga festividade pagã a origem da páscoa hebraico-cristã.

É prática Wiccaniana a decoração (com símbolos mágicos) de ovos crus ou cozidos.

Ovos decorados sempre foram símbolos de fertilidade. No séc. XVII, naFrança, eram dados ovos decorados às novas noivas, na esperança de que pudessem termuitos filhos.

Na Alemanha, eram dadas tigelas cheias de ovos aos trabalhadores do campo pelas esposas dos fazendeiros, visando assegurar assim, uma colheita rica e fértil.

Muitas culturas vêem o ovo como um símbolo de vida, ou o receptáculo do espírito.

O ovo é símbolo de boa fortuna na Rússia e decorar ovos é uma prática entre namorados, assim como acredita-se que enterrar ovos decorados, por vezes, são mesmoconsiderados como verdadeiras jóias e ornados com pedras preciosas; um bom exemplo são os famosos ovos Fabergé e Tiffany.

Em Ostara, o Deus e a Deusa despertam nos animais selvagens o desejo àreprodução.

O Deus Cornífero vivencia sua plena maturidade e a Deusa é reverenciadaem seu aspecto de Deusa da Primavera.


Frutas e Plantas :
Flores-do-campo, narciso, madressilva, íris, jasmim, rosa, morangos violeta.

Comida típica:
Sementes como o girassol, abóbora e gergelin, assim como castanhas de Pinheiro.

Verduras folhosas e verdes.

Ovos recheados de Ostara:

Comer ovos no Equinócio Primaveral é o equivalente a estar ingerindo a energia

PURA de OSTARA!


Ritual para Ostara:

O altar deverá estar voltado para o norte.

Trace o círculo de forma ritualística.

Coloque uma vela da cor apropriada ao Sabbath ao sul (a cor é branca),representando o elemento fogo.

Coloque também a tigela com os ovos cozidos decorados com símbolos mágiccos de fertilidade ou outros símbolos relacionados a seus desejos.


Após evocar os Deuses, diga:

“Abençoado seja este círculo de SabbathNo nome divino de OstaraDeusa antiga e fonte de fertilidade

Em seu nome sagrado

E sob sua proteção

Está agora iniciado o Sabbath."

Ajoelhe-se no altar e toque a lâmina do athame no coração dizendo:

“Abençoada seja a deusa da fertilidade,

Abençoado seja o rito da primavera.Abençoado seja o rei que é o deus sol ,

Abençoada seja a sua luz sagrada.”

Toque com a lâmina do athame sobre a testa dizendo:

“O Sol cruzou o equador,

Dando a Lua horas iguais no dia.

A fonte da Deusa é afinal renascida,

A sua beleza dá a vida

Para as árvores e flores.

Abençoada seja a deusa verde divina

Ela é a fonte de todas as coisas vivas.

Abençoado seja o do verde esplendor

Para os Deuses

Dedico esta canção que eu canto.

Desperte um, desperte tudo.

E ouça a voz do chamado da Deusa.

Abençoada seja nossa terra de Ostara,

Que seja cheia de paz,

Magia e amor.

A deusa toma o fôlego da vida.

A deusa dá a vida.

A deusa é a vida.


Que nossos deuses reinem supremos!”

A ORIGEM DA PÁSCOA

Muito antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera.

A Páscoa sempre representou a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, isso muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade.

A palavra “páscoa” – do hebreu “peschad”, em grego “paskha” e latim “pache” – significa “passagem“, uma transição anunciada pelo equinóciode primavera, que no hemisfério norte ocorre a 20 ou 21 de março e, no sul, em 22 ou 23 de setembro.

De fato, para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar dos antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther (Easter em Inglês).


Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres. Os pássaros estão cantando, as árvores estão brotando. Surge o delicado amarelo do Sol e o encantador verde das matas.

A celebração de Ostara, comemora a fertilidade, um tradicional e antigo festival pagão que celebra o evento sazonal equivalente ao Equinócio da primavera . Algumas das tradições e rituais que envolve Ostara, inclui fogos de artifícios, ovos, flores e ocoelho. 

Ostara representa o renascimento da terra, muitos de seus rituais e símbolos estão relacionados à fertilidade. Ela é o equilíbrio quando a fertilidade chega depois do inverno. É o período que a luz do dia e da noite têm a mesma duração. Ostara é o espelho da beleza da natureza, a renovação do espírito e da mente. Seu rosto muda a cada toque suave do vento. Gosta de observar os animais recém-nascidos saindo detrás das árvores distantes, deixando seu espírito se renovar. Os símbolos tradicionais da Páscoa vêm de Ostara.

A Páscoa foi adaptada e renomeada pelos cristãos, do feriado pagão Festival de Ostara, da maneira que melhor lhe convinha na época assim como a tradição dos símbolos do Ovo e do Coelho. A data cristã foi fixada durante o Concílio de Nicéa, em 325 d.C., como sendo “o primeiro Domingo após a primeira Lua Cheia que ocorre após ou no equinócio da primavera boreal, adotado como sendo 21 de março. 

A festa da Páscoa passou a ser uma festa cristã após a última ceia de Jesus com os apóstolos, na Quinta-feira santa. Os fiéis cristãos celebram a ressurreição de Cristo e sua elevação ao céu. As imagens deste momento são a morte de Jesus na cruz e a sua aparição. A celebração sempre começa na Quarta-feira de cinzas e termina no Domingo de Páscoa: é a chamada semana santa.



16 de março de 2015

Um esporo, um espirro!

A história na vitrine da retina, titubeia...
A lerei inteira...

Desenrola na vitrola, melodia em devaneio
O ouvido sustenido se enamora...

Muito embora esquecido, um lampejo de alegria
faz centelha na lareira do desejo...

Um cavalo salta as tábuas do estábulo
Uma fábula faz as malas... eu viajo!

Um esporo faz-se espora na narina...
Eu misturo um suspiro com espirro...

Cataratas, Catarinas...

São as mágoas...
como magos a fundar nos fungos
Alicerces de impérios oblongos e obtusos...
Impropérios...

Vou embora…

Desmembrado, retorcido,
Emburrado eu solto risos... nada acaba... nada acaba...
Abracadabra...


20 de agosto de 2014

Shantideva

Eu não fico com raiva contra uma doença que me faz sofrer;
Por que então ter raiva contra outras pessoas?
Elas também estão sob o império de condições (que as levam a agir assim).
(Shantideva)

24 de novembro de 2013

Maria Machucada (Poesia Paralela)


Era ela da Santa Igreja, dos votos formais
Sendo assim uma espécie de Santa, dessas Celestiais
Eis que um dia, uma dor lancinante, vem arrancando Ais!
E descobre o sarcoma de um câncer, em seus órgãos vitais..

Em delírios agora, os anjos vestem aventais
E lhe dizem que o tempo é curto, um ano, não mais!
Ela grita, implora, se agita, procurando sinais.
Sua dor aprofunda na alma, já em tons infernais.

Procissão entre exames modernos em mil hospitais
Sua fé derrubada na lama, em murros doutorais.
Quando um velho, na fila sussurra, conhecer os canais
Incomuns, mas que viu em milagres, quase angelicais...    

Diz-lhe: - Virgens quando semeadas, em altares sacrais,
São tocadas por todas as almas das mães ancestrais
Que lhe curam dos males da carne e dos espirituais
E a doença que hoje lhe doma, evadir-se-á nos ervais...  

Ela roda, delira, ensandece, sonha pedras moais...
Sendo freira, o remédio lhe ronda como fossem chacais
Farejando seu sexo em protesto. Cavernosos carnais
Ser abertos por um bom motivo e por velhos punhais...

Sua alma, entre um rito e os votos, faz-se em vãos espirais
Nos rosários clama conforto à carne, e ao espírito paz...
O dilema entre conceber “vida” com fins medicinais
E arrancar suas pétalas rosas, de fins ornamentais...

Nesse transe, ela implora um milagre, como nos rituais...
É levada a uma dança antiga, sente o som de tambores tribais...

...
Rompe a porta um homem moído, fedendo a animais.
A violenta no altar sagrado, agressões são seus ante-nupciais
Ao final, muito sangue em seu corpo, já é tarde demais...

Sem perdão da igreja, a mocinha, foi viver num bordel.
Já sem dores por dentro da carne, lança graças ao céu!
Acalenta a prole em seu peito, e sem pai no papel.

Na prisão um doente alucina, lança brados: - Meu nome é Gabriel!

Na cadeia um demente delira: - Meu nome é Gabriel! 



22 de novembro de 2013

Poesia Paralela

Projeto Poesias Paralelas - Arrancar novas possibilidades de músicas consagradas, alterando significados, mantendo o lirismo e sugerindo com clareza as referencias clássicas!

10 de junho de 2012

The story of a head that ran from its feet


Once upon a time a bunch of different seeds of many shapes and colors were planted on the soil. Many species had to try really hard in order to survive.


So they started to grow the way they could and just like that they were able to develop their wisdom, persistence and strategy.

Each one of them trying to get as high as they could. Stretching their branches towards the blue sky.

The big trees had their branches growing higher and higher but at the same time they were growing away from the other trees since the planet is rounded.

Don’t understand? Ok, I’ll explain…

At the beginning the branches seemed to grow parallel from each other but when looking towards the sky you could tell that the top of each tree was far away from each other.
Growing this way they could no longer communicate or exchange new ideas.

So to keep a conversation they had to yell at each other but after a while it became harder and harder so they decided to stop trying. With time all the trees lost their ability to hear or speak. What a shame… It seemed now that they were so independent and didn’t even need each other anymore.

The heads were growing so so so so far away from each other.

They were aiming to the sky, going as fast as they could; fearless and that was making their communication disappear…

All I know is that for each centimeter they grew up another centimeter would grow down making sure the roots were well solid and supporting their balance.

Deep inside in the dark soil mixed with bugs and leaves, the roots were growing towards the planet’s heart and, unlike the heads, they were approaching other roots time to time because they all had the same goal and direction.

So each step up ahead would mean a step down below and that was the only way the trees would grow. The roots got closer and closer that their ends touched each other, and tangled up with a whole new way of dialogue without the words once used but with more meaning and a stronger soul. It was just like a friendly and caring hug.

And it was created, at this moment, the same strength that developed a bellybutton in each one of us boys and girls who are fruits from those old trees still requesting us to grow big but to never forget that for each step ahead we should always grow a step inside. And to be just like the trees that even speechless still talk to you and me.


PS: The same goes for the lovers. When developing their relationships sometimes for reasons caused by life and such they need to go apart from each other making everything harder but making sure to have their roots tangled up deep down supporting each other and keeping each other warm always with love and care aiming in the same direction.


Translation by Alice Campello

9 de junho de 2012

A história da cabeça que fugiu dos pés!


Criança! Ouça que história mais linda... e louca!

Certa vez, varias sementes, de muitas formas e cores, foram espalhadas sobre a terra. Muitas espécies buscaram sobreviver com muito esforço.

Foram crescendo, como podiam, desenvolveram-se com habilidade, persistência e muita estratégia!

Cada uma elevava-se o máximo que podia, estendendo cada galho ao céu mais infinito!
As grandes árvores exibiam galhos cada vez maiores e altos, mas à medida que cresciam, afastavam-se uma da outra, já que a terra é uma esfera!

Não entenderam? Então eu explico:

No início, os troncos mais altos, pareciam crescer bem paralelos, mas quando eu olhei lá do espaço sideral, percebi que cada cabeça, de cada árvore, estavam mais longe uma da outra! Assim, ficou cada vez mais difícil para que elas pudessem trocar ideias.

No inicio gritaram muito, mas uma já não escutava a outra e foram ficando surdas e mudas... Que pena, parecia agora que já eram independentes e não precisavam mais uma da outra. 

As cabeças estavam muito, muito, muito, muito longe mesmo!

Elas seguiram em direção ao espaço, velozes, imponentes, o que fazia piorar muito mais o dificultado diálogo, já que o som não se propagava no vácuo!

Mas sei que para cada centímetro que uma crescia para o alto, outro centímetro era necessário que crescesse para baixo, garantindo a cada uma, as raízes fortes para sustentar o equilíbrio e a resistência que se exigia para as tarefas do desenvolvimento!

La no fundo, sob a camada espessa de folhas, no escuro, junto aos insetos, as raízes iam crescendo para dentro do coração da Terra, e ao contrario das cabeças, aproximavam-se sempre e a cada momento, porque caminhavam em direção ao centro.

Cada passo para o alto, exigia um passo para dentro, só assim podiam crescer mais... E assim foram convergindo para um mesmo ponto, até que seus pés profundos tocaram um ao outro, emaranhando-se num outro tipo de diálogo, sem palavra, mas com sentido, com uma alma antiga que lhes beijava... Um abraço carinhoso e amigo. Amalgamaram-se!

Formaram ali, naquele instante, um mesmo abrigo que fez nascer um umbigo na barriga de cada menina e menino, que são os frutos dessas árvores antigas, que agora, pede que cada um cresça também, mas lembrando que para cada passo para o alto, devemos também dar um passo para dentro, como as grandes árvores antigas, que mesmo mudas, conversam contigo e comigo!

Agora vamos lá para o pomar, comer jabuticaba e batucar uma cantiga!


PS: Assim também são os amantes, que quando crescem, pode ser que se distanciem pelo desenrolar dos fatos que a vida exige, calejando os caules, mas suas raízes precisam estar emaranhadas para que um mantenha o outro aquecido sempre num abraço cheio de amor e ternura!

"Essa história é para minha querida e amada Adriana Vilczak, que é minha árvore cheia de vida, mas que agora vai distanciar-se por um momento! Agradeço pela sabedoria que tivemos no momento em que estávamos cultivando raízes bem profundas!!!"

12 de dezembro de 2011

Dr. Jekyll: Pb > Au


Persiste o Etrusco no sangue bruto,
Busca a resposta encravada em dupla
Hélice. Bruxuleia alquímica lanterna,
A mirada assusta se o estribo vibra ao sinal que escuta:
“- Bebe do cálice!”

A epiderme grita ao escorrer nas coxas
A matéria amorfa que precede a vida
Nos belisca a garra da tragédia humana,
Odalisca afrouxa o quadril que dança!
“- Suga da música!”

Castiga a torre, cede o castelo, o desejo clama!
Quando o passo cansa e o olhar embaça,
Força-te ao braço que sustenta o barco! Surgem escamas...
Incendeia a flecha que te alveja o corpo!
“- Deja la máscara!”

O uivar lupino vem oportuno acender a chama.
Balançando o berço, o acalentar tranqüilo
que amamenta Roma... Meu cavalo escuma
e pisoteia o pasto. Rodar a fortuna com a mesma pata! Carmina Burana!
“- Dispa da túnica!”

O tambor palpita ao sopé do abismo, aborígenes
Caçam marsupiais dos istmos. Unem penínsulas
Ao continente. Usurpa ao urso ou ao lagarto
A língua bífida! Descer degraus na escala ígnea...
“- Cava um buraco!”

Beija ao inseto, maneja a célula, retoma o mapa
Do elemento químico, controla o átomo, fira a hemácia
Mói a molécula, maquia a face, modela a massa,
Retorne a sala do hotel. Tranqüilo... Ela não viu!  
“- Abra um sorriso! Dr. Jekyll”

9 de dezembro de 2011

Cavaleiro de Copas

Tiraste de Perseu o seu escudo
Do reflexo da medusa não tens medo
A coragem da inocência é o remédio
Contra a sombra abstrata do absurdo

Vieste em vestido de festa ao rochedo
Teu colírio jogas fora, não precisa.
Precipício abre a boca implorando
Sacrifícios seculares, tu cozinhas um coelho!

A leveza de seus passos é levedo
De cerveja aos monogástricos, brilha os pelos...
São fantásticos os fogos de artifícios

Que explodem quando passas em meu peito
A coragem que incitas quando brincas
Faz mais forte o pai que busca por emprego!

É minha filha a heroína do enredo!

Belo Monte

Tenho um vulcão de lava fervente
Comprimido num tubo de pasta de dente
É meu peito explosivo e palpitante
Picareta marretando a dinamite

Furacão que rodopia a cabeleira
Borboleta na neblina, Cachoeira
Represada, Belo Monte assassina
Tenho a fúria mal dormida e mal domada

Natureza dominada atrás da roupa
Confortável no inferno faço a barba
Trago poucos impropérios além da raiva

A beleza aprisionada na falésia
O pavio encurtado à navalha
A falácia alivia, mas não salva!


1 de dezembro de 2011

Gilliat e Deruchete


Naufrágios sao frágeis para seus braços,
Trabalha na gávea, na proa, no mastro, vai farto!
Confia Gilliat em seu esforço, assusta-se e dança!
Engole a onda, a longitude, lasca de lenha balança e
Durande, vapor velho, encalha um parto no vácuo...

Eterna ventosa lambe a chaga, labuta infinita
Chacoalha o oceano o casco da pança, gaivota...
A âncora engasga, em asma o fole, trapaça gravita...
Devaneia Deruchete no balanço, serenata na infância...
Persista!

Bonnie Dundee é conforto ao desespero. Sua herança
tem os nervos como cego nevoeiro, beija e cansa
Vai marinho, cavalgar a tempestade... toma as rédeas!

O herói deixou um marco em meu peito, como nódoa
Latejando de profícua lealdade ao que planeja, o marujo que gargalha...
Que suspeito ser o mesmo que trabalha... ou quem ara

Quem areja com esforço a sutileza desta terra, a natureza
Não aceita que marés devorem braços que operam...
Nada, nada, bate as asas, já sangraste em demasia pela praia
O castelo de areia cede ao vento mais eterno!


7 de outubro de 2011

ENTROPIA MONETÁRIA


Se a música me embala e a cantiga vem, me nina!
Se o cheiro do incenso me domina e a mágica me cala.
Assustado pelo álcool que embriaga, absinto em meu soluço!
É a droga que me fere e me fareja, quase minto!

Sabem sim, dessas mensagens tão sublimes
Que estudam-me os detalhes dos sentidos
Embaralham meu desejo a um abismo,
Gritam: - Salte! Por favor, não me maltrate!

Se a energia quando eu compro é cara, e
Quando vendo se traduz em meu salário.
Entropia monetária? Quem se apropria?

Obedeço a um principio claro!
Trabalho!

Minha força mede em joules
Perde-se em física jornada,
Contam horas de entrega e me pedem
Mais um samba, mais um trago

Mais um crime é cometido contra o caráter
Em minha tábua entalham leis com a chibata
Guardas me calam... Dai-me a cachaça!

Se o sino da igreja marca as horas nos badalos
Engana o padre ou o bispo, quando falo de pecados
Sendo a bíblia um engodo genocida, então me calo!

A fábrica marca meu tempo num apito
Meu patrão é um monarca, devo-lhe a vida!

Se as bandeiras da torcida se maltratam
E os dois times em verdade, são o mesmo!
Quem desejo ver metendo a mão na taça?

Na TV passa um programa apelativo
E como obvia reação eu me masturbo.
Dai-me mais dessa piada, somos o circo!
Cerquem soldados! Metam na jaula!

Meus instintos se enroscam nas esquinas
E como peixes, mordem iscas, eles me fisgam
E me desvio de mim mesmo, e me procuro!
Por mais que pense, quase macaco. Me domesticam!

Se os estandartes de minha escola descolorem
Ao perceber meu carnaval nascer do crime
Em quem confio?

Tudo que passa, cobre um pouco meu domínio!
Em meu pulso um relógio me retarda!
Raízes velhas, quase invisíveis são violadas...
Como faço? Como entendo tudo isso?

E o poema, como sai dessas amarras?
Sequestrado, preso em algemas! Arrebentado!
Sempre caio em armadilhas! Elas são lindas!

E a alma? Que resgate é exigido!
Como trago? Se a fumaça fecha os olhos de meus filhos!
Como toco aquela pérola escondida, no infinito?

Um represa se constrói em nosso rio!
Quase incêndio na floresta do instinto!

Se o universo trama e conspira...
E borboletas batem asas na Austrália
O que tenho eu, a ver com tudo isso!?
Se na Grécia, tem um povo que batalha
Tocam-me pedras Palestinas, vindas das fundas!

Se os búzios se contorcem no balaio e contradizem
O que sinto aqui no peito, bem lá no fundo...
E me revolto! Meio confuso!

Essas idéias vêm assim tão primitivas
E me assaltam bem de leve, como libélulas!
Me incomoda uma pontada dentro da carne
Vem perfurando minhas camadas, como um dardo
Em meu alvo... Em minhas células! Como um berne!

Sem mais silencio, nem se camufla... Me desafia!
Tal qual mística esfinge...
Dor de cabeça!

E o perfume da senzala regozija em minha alma e nas narinas!
E pela noite tem um cavalo se relinchando, solto no pasto!
Do oceano vem uma brisa... A tempestade!
Algo me diz que liberdade é mais que isso!

Mas o que faço?

Se a musica me embala... O álcool me embriaga... O meu time mete a mão na taça... Minha escola vai para o samba desinibida... Dança a mulata, decotes fartos... E meu sorriso faz-se sem pressa... Vai meu poema, cambaleado pela cachaça!

MORO NESSA CASA VAZIA

Eu moro aqui nessa casa
Vazia por certo, deserta!
Tenho água encanada,
Luz elétrica, comida farta
Isso me basta!

Tenho empregada doméstica
Que vêm todas as quartas
Livros que me distraem...
Samambaia plástica...
Faço ginástica!

Tenho bons filmes na tela

Vela para imprevistos,
Tenho carteira que como lábios
Pede amor por tele sexo!
Conto anedotas...

Aburguesado vou à balada
Derramo vodka
Com energéticos,
Sou mesmo foda e
Tomo remédios...

Minha família é um fantasma
Escuto trance ou tecno...
Me manifesto pela internet
Adoto uma árvore...
Sou agnóstico!

O operário da obra é brega... e fede!
Imprestáveis os que fazem greve!
Tenho nojo de quem sua, toda plebe!
Malditos sem-terra...

Eu xingo toda a gentalha!
Estaciono meu carro,
Faço plano de saúde...
Aciono o alarme...

Eu moro aqui nessa casa, vazia por certo!
Como meu cérebro!

25 de maio de 2011

Siesta - Angel Parra

Eu que conheço seu corpo
Melhor que ninguem na vida
Descubro por baixo do braço
Fragrâncias doces que incitam
Que feche a persiana
E acaricie a colina
Que desperta meus desejos
na siesta de nossa ilha.
E nossos corpos se afundam,
Desnudos numa sombrinha.
Cai a blusa do ombro,
“Dispa-me tudo”, dizias,
Embriagados de ganas,
Ocorrem todos os dias,
Respirar dessa maneira
Os dois ventres que palpitam
Ambos buscando seu centro.
Ante-sala de carícias.
E de novo surpreender-se
Do mundo das delícias.
Em teus braços e nos meus
Pérolas de paixão transitam,
O vaivém das cadeiras,
Um coração que se agita,
Sobe e desce a maré,
Volta mil vezes, respira,
Sal e iodo entre suas pernas,
Alimenta e debilita.
E estalo como onda
Em tua caverna bendita.
Depois de havermos amado
Sem restrição nem mentiras,
Me inclino a beber a água,
Nossos joelhos vacilam,
Voltar devagar ao mundo
Com a pupila distante,
Cansaço de navegantes
Que aportaram na praia,
Cruzando os sete amores
Felizes pela batalha.


Original em Espanhol:
Yo que conozco tu cuerpo
mejor que nadie en la vida
descubro bajo tu brazo
fragancias dulces que incitan
a que cierre las persianas
y acaricie tu colina
que despierta mis deseos
en la siesta de la isla.
Y nuestros cuerpos se hundan,
desnudos en la sombrita.
Cae la blusa de lo alto,
“quítame todo”, decías,
como borrachos de ganas,
ocurre todos los días,
respirar de esta manera
los dos vientres que palpitan
ambos buscando su centro,
antesala de caricias.
Y de nuevo sorprenderse
del mundo de las delicias.
En tus brazos y los míos
perlas de pasión transitan,
el vaivén de las caderas,
un corazón que se agita,
sube y baja la marea,
vuelve mil veces, respira,
sal y yodo entre tus piernas,
alimenta y debilita.
Y estallo como una ola
en tu caleta bendita.
Después de habernos amado
sin restricción ni mentiras,
me inclino a beber el agua,
nuestras rodillas vacilan,
volver de a poquito al mundo
con la pupila lejana,
cansancios de navegantes
que arribaron a la playa,
cruzando los siete amores,
felices de la batalla.

28 de abril de 2011

Canção Óbvia

 
(Paulo Freire)
Escolhi a sombra desta árvore para
repousar do muito que farei,
enquanto esperarei por ti.
Quem espera na pura espera
vive um tempo de espera vã.
Por isto, enquanto te espero
trabalharei os campos e
conversarei com os homens
Suarei meu corpo, que o sol queimará;
minhas mãos ficarão calejadas;
meus pés aprenderão o mistério dos caminhos;
meus ouvidos ouvirão mais,
meus olhos verão o que antes não viam,
enquanto esperarei por ti.
Não te esperarei na pura espera
porque o meu tempo de espera é um
tempo de quefazer.
Desconfiarei daqueles que virão dizer-me,:
em voz baixa e precavidos:
É perigoso agir
É perigoso falar
É perigoso andar
É perigoso, esperar, na forma em que esperas,
porquê esses recusam a alegria de tua chegada.
Desconfiarei também daqueles que virão dizer-me,
com palavras fáceis, que já chegaste,
porque esses, ao anunciar-te ingenuamente,
antes te denunciam.
Estarei preparando a tua chegada
como o jardineiro prepara o jardim
para a rosa que se abrirá na primavera.

Mamutes e Amores



Escrevia eu de Mamutes, concentrado em minha tese!
Lamparina acesa em meu quarto, bem cansado eu forçava um ensaio!
Mamutes, paquidermes? Quase isso! Que abuso!
Enfim, arrombando as paredes, aparece-me o tipo. Que raro!
Era ele, onipresente derrubando a casa!
Retorcendo seu marfim em cada página...

Bom... Impossível seguir meu estudo!
Ali estava, presente! Abusado! 
Escrever sobre o Mamute não podia...
Me pisava!
...
Escrevia eu de Amores, concentrado em minha tese...
Que assunto tão delicado!
Tranquei a porta assustado!

27 de abril de 2011

A Menina na Caverna



Entrei naquela caverna, ali uma menina
Chorava escondida, desesperada dizia:
- Meu tempo vai acabando, estou fria!
Desejei poupar-lhe de sua notícia-sina!

Voraz devorava o mármore! Seus caninos
e a gengiva em sangue mastigavam o vício.
Meu coração ouvia e badalava em sinos...
Búfalos em marcha sobre a derme de silício.

Deitei ali ao lado, uma cantiga fez a voz
Balançar em minhas cordas, que sem nós
Serviu como carinho, embalada ela dormiu!

Tenho pouco, quase nada! Mãos vazias, trago
Assim uma palavra, uma frase ou um fuzil
Meu abraço é abrigo a um amigo! Um afago!

Ou um tiro...
Meu refúgio é como exílio de naufrágios!
Ou um lírio!

26 de abril de 2011

O Eco, a Sombra e as Estrelas


Pouco tempo resta pra decidir a rota: - Capitão!!
Gritam: - Faz chorar a pedra! Essa é a tarefa!
Ampulheta que fratura a hora e dilacera a pressa!
Eis minh’obra dedicada à idade e a ilusão!

Vendo a memória, ninguém se interessa!
A cidade que ergo em meu verbo! Dédalo
Rasgando cada projeto e um beijo do objeto!
Resta uma dança para a despedida. Valso!

O anel ao dedo médio da menina mais sincera!
A escala domestica a fera, e meu lenço se encharca
de lembrança... Iço as velas, mordo as rédeas!

Encilharam meu cavalo, e meu nome vai bordado
Na bandeira hasteada, e meu eco acompanha o vento
Dorme a sombra, o instinto decidido berra: - Fica!

23 de abril de 2011

Tatuagem de Família




É claro que sabemos a origem, sempre sabemos! Mas a ignoramos para manter o ar de simplicidade e mistério! 

Essa é a tatuagem de minha família, nômade, bruxa, cigana, peregrina, maruja, viajante, artista, mambembe, faminta, distante, que brilha ali bem perto, num farol ao horizonte!

Ao fundo no maior círculo, esta o “C” de Campello, em forma de Lua, que nos rege!

Atravessando o “C”, temos duas ondas, uma côncava, outra convexa, que atravessa nosso alfabeto! Sempre nas marés que sobem e descem! Assim navegamos!

Nas ondas, surge uma ilha pequena, terra firme da família, da memória, segurança, porto de lembrança e saudade, onde nos socorremos quando perdidos nesse mundo!

Ao alto da Ilha, um ponto de referência, um farol que brilha! Que é como estrela ou um uivo para a matilha!

Um ponto que nos unifica, que relembra dos valores, dos princípios, das verdades primeiras... Do trabalho e sacrifício! Sim! Há que remar para chegar ao outro lado do oceano e conhecer as constelações!

Tatuada ao tornozelo esquerdo do lado de dentro!

Tornozelo por ser a parte que se dobra, articula, perto do ponto sensível de Aquiles, adaptável e frágil, que nos faz caminhar eternos, pelos caminhos do mundo!

Esquerdo por ser o lado do coração e do povo, associado à justiça!

Do lado de dentro para estar protegido em nosso interior, na caverna segura de nosso instinto!


16 de abril de 2011

FANTASIA MIGRANTE


Ponganle ojos cumpadres!
Diz ser corsário! Não creio...
Tem ar de delírio e amores
Nas margens do devaneio.

Tomem cuidado! É certo
Sua alma de profeta e o cajado
Vai rijo à mão esquerda... Profano
Diz ser cigano e fuma cigarro

Como um poeta, diz que vicia
Sua palavra imita a magia,
Grafia homeopática. Vigia!
E lê nos astros nosso destino!

Diz ter origem no Ganges
Que vem pra lá do Himalaia...
Cuidado! Fez um castelo do verbo
De verso fez a Cidadela...

Como um inseto, transmuta
E nutre-se como uma epífita
Crisálida sem casulo, caverna!
O fato concreto revela: é desempregado e migra!