Poemas no e-mail

26 de outubro de 2016


O casamento dos pequenos defeitos!

Ela me ama, é fato!
Apesar de meus olhos fracos,
Metade dos dentes tortos e
Pelos por todo o corpo...

Ela me ama, eu sei!
Mesmo com minhas frieiras,
Feridas e cabelo crespo,
Calvo e grisalho.
(Meu Deus, tudo ao mesmo tempo!)

Ela me ama, afirmam seus juramentos!
Mesmo passado dos "entas",
Contas não tão suculentas,
Miúdo em meus documentos...

Ela me ama, assim desse jeito!
Conhece meu peito bem magro,
E bíceps já não tão potentes, meu choro.
Sabe que nada é perfeito...

Enfim...
Ela me ama, que bom, eu escolho
O amor que ela em mim recolhe e
Floresce em meio à defeitos.

- O que exige de mim, Jardineira?

- O simples amor em retorno,
Ser gentil, confidente e respeito!

- Por mim, de acordo, sou feliz e aceito!
Eu me comprometo!



Ele me ama, é fato!
Apesar de cravos nas costas,
O dobro do peso perfeito e
Pelos ligeiros no queixo...

Ele me ama, eu sei!
De sobrancelha malfeita,
De mechas de cabelos brancos,
Bem ralos e secos.
(Meus Deus, tudo ao mesmo tempo!)

Ele me ama, afirmam seus juramentos!
Mesmo passada dos trinta,
Das contas não pagas em dia e
O lábio já gasto e grudento...

Ele me ama, assim desse jeito!
Conhece meus peitos pequenos.
A força de meu abraço, meu cheiro.
Sabe que nada é perfeito...

Enfim...
Ele me ama, que bom, eu assumo
O amor que ele em mim semeia e
Floresce em meio à defeitos.

- O que exige de mim, Jardineiro?

- O simples amor em retorno,
Ser gentil, confidente e respeito!

- Por mim, de acordo, sou feliz e aceito!

Eu me comprometo!



6 de setembro de 2016

Imune eu me muni, menino!
Menos malas, mais amores e
Amizades. Menos mágoas e
Medos, menos dedos em mis chagas,
Mais unguentos meu menino...
Menos peso na viagem, menos mapas,
Menos rotas planejadas,
Mais segred




11 de março de 2016

Como Adão treinando cães no paraíso

São ciganos, são artistas, clandestinos,
São mambembes, saltimbancos, bailarinos.
Vagabundos, bandoleiros, nordestinos,
Menestréis, bucaneiros, libertinos.   

Imigrantes, tuaregues, beduínos.
A barbárie! - Como aves, cantam hinos.
Andorinhas ancestrais, são andarilhos!
Coletores, caçadores, são os índios.
Otavalos, artesãos, fora dos trilhos!

Forasteiros, estrangeiros, peregrinos,
Dessas tribos de turbantes, caminhantes,
São piratas, são mendigos.
Navegantes sem lanternas, sem abrigos.

São os filhos do deserto, da desgraça, do destino.
Desterrados, refugiados, foragidos.
Assaltados pela fome, pela peste perseguidos.
São gerados pela guerra, hecatombes, cataclismos. 

No Egeu afegãos são afogados,
São os Sírios assaltados na Turquia.
Palestinos perseguidos qual judeus em 39
São antigos Iugoslavos...
Zapotecas de Oaxaca em nove quatro.
Coloridos atravessam Colorados,  
São os negros Louisianos agredidos!

Os que passam, que não ficam...
Os que voam como pipas num ciclone,
Que salpicam-se do ninho como pássaros e
Como nuvens de fumaça se duplicam
Que passeiam sobre o pasto e não ruminam!

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Todos... todos esses que hoje batem minha porta
Que golpeiam com seus cascos, minha terra
Que se brotam como flores no inverno
Como esporos em diáspora, como expurgo
Uma bagunça, uma baderna...

Tumultuam minha Londres tão tranquila,
Aborrecem os limites de meu burgo pós-moderno!
Como hunos cerceando minha Roma que cochila!

Eu martelo mais um prego no palanque
Faço cercas mais espessas, armo o rifle
Eu protejo o Partenon para meus filhos
Cavo fossos mais profundos, como abismos.
Ergo muros, abro valas, meto balas

Em meu Éden, purifico minha pele
Meu genoma preservado num console
Como Mickey defendendo seu castelo
Rapunzel cortando as tranças no refúgio...

Dou risadas, sou o branco que gargalha
Sou o braço que humilha!
Esfregando a genitália na pereba
Desse Lázaro horrendo que trabalha.

Como Adão treinando cães no paraíso
Preservando o bem viver em meu jazigo
Minotauro, como Trump, bem nutrido em labirinto
Assistindo com orgulho o suicídio
Dessa parte, ser humana, que me habita.