Poemas no e-mail

9 de outubro de 2009

Bailas comigo pela eternidade?

Chegou a hora da ventania...
De cavalgar esse horizonte con mis patas centáuricas, mis sagitárias pegadas...
Chegou a hora de uivar ao que virá... arrebentando o fole dos meus pulmões...
O sol líquido que se espalha por mis esperanças esparramadas na relva que se revela invertebrada...
De sentir o vento limpo do desbravamento, com cheiro de selva... romper as carnes opulentas, ungir o corpo com óleos frios, besuntar de azeite os pelos crespos com nossa argila virgem...
Levantar vôo com asas Délticas, élficas... Gríficas...
Erguer a mirada... sem cálculo, perceber os passos sem críticas...
Palmo a palmo te apaziguar os sonhos... o olhar manso como a curva gorda do rio... e firme como figueira antiga...
Chegou a hora da desancora dos barcos... romper a noite que já acaba...
Respirar profundo, explodindo os peitos, sentir as bombas da primavera em cada explosão de pólen que estala.
Te olho nos olhos... converso com a íris cicatrizada... e salto num arco de cores... voltando daquele exílio forçoso!
Chegou a hora da explosão túrgida dos nervos... da tensão drástica dos músculos...
Chegou a hora dos músicos dançarem na festa maiúscula... Que as flautas fimbrias se afinem no firmamento...
Chegou a hora de te pegar a mão e beijar os lábios...
Chegou a hora de encostar no ombro aquele choro de despedida... de até logo!
Chegou a hora de pousar a casa... esquadrinhar o quarto, modelar tijolos... empilhar ladrilhos...
Semeei em muitos lugares, porque não sei onde renascerei um dia!
Os tentáculos flácidos contém já a lignina densa...
O que era ferro ao centro, fundido em a.ácido! Agora dança ao centro aos pares com Magnésio!
Enraizando o sangue animal, numa cortiça eterna... como a planta que cobiça à pedra...
Como o plasma que beija à matéria...
Chegou a hora de aprofundar as raízes velhas... nessa terra encharcada de sêmen...
Construir o ninho, esquentar a água... trazer-te um banho para curar-te as chagas...
Dar de comer à cria dos cães magros, dar com o tempo parado numa esquina, conversando com os velhos homens sábios...
E de mãos dadas pelos pátios... fazer-te um convite inesperado...
Bailas comigo pela eternidade?