Poemas no e-mail

28 de abril de 2009

Quando nos colocam numa caixa...

Pois bem, aqui estou com a clavícula engessada...
Dentro dessa caixa de madeira... Mas enfim, sou ainda o mesmo, enfaixado...
Quebrei os ossos numa bifurcação da estrada... e ainda sinto algumas pontadas por sobre as peles do corpo... algumas putas, desenhando um mosaico!
Estou no final de um dia de escravo...
E meu olhos já se apagam em areia morna... é a jornada de mais um sábado!
E meus sonhos já se apresentam alistados para o combate...
E minhas pernas se arrancam para o espelho...
Fiz um diário secreto, contendo todos os males... e uma seria me respondeu com seu eco, contando-me os detalhes... e me apaixonei pelos comentários...
Fiz um pacto... e assisto a um genocídio todos os dias, e mantenho-me calado!
E um grito se aprisiona por dentro... Um fantasma se ajeita com preguiça...
A tarde chega confusa e cumprimenta todos os gajos...
E minha espinha ereta se entorta como nos fados...
E minha irmã Constanza, se irrita com as muletas quebradas...
Mas continuamos o passeio no parque...
Por algum motivo, esculpiram um sorriso nas estátuas... E beijamos os mesmos lábios pontudos...
E saímos pelo mesmo lado...
Nossos navios queimados... Nossas novelas no rádio...
Nossos quintais coloridos, e os azulejos pintados...
Onde dormiam as meninas enclausuradas?
Onde mijavam as velhas não decifradas??
E as falanges, se envolveram? por acaso???
Se enovelaram???
Mas que fita, mas que falha... mas que falta de memória... realmente estou cansado...
Meu olhar de areia se espraia pelas telhas daquele castelo...
Meus calcanhares doídos, não esperam por outro mistério, é sempre o mesmo recado! E meu pincel de agulha se enfada com os mesmos resultados... te enfiam uma granada pelo rabo! Uma espingarda pela janela!
Caralho!
Bom, como disse, estou cansado... e vou me deitar com os ursos... e vou beber um bocado...
Como disse, estou esgotado... e vou andar pelos campos, com meu skate dourado... e vou acender meu cigarro, com um velho tição em brasa... e vou botinar um policial na esquina, vou lhe erguer com meu sabre...
E meu punhal nova-iorquino, vai lhe abrindo um rasgo!
Com meu garfo retorcido, vou perfurando seus lábios... A polícia é mesmo porreta, merece ser condenada... merece ser fuzilada...
Bom e vou saindo com o saldo positivo, porque estava mesmo cansado!