Poemas no e-mail

18 de abril de 2010

O alvo ta claro...

Volto a deixar aqui meus vestígios...
Deixo pegadas que nada persegue...
E nem percebem as ondas que faço...
Não repreendem nem meus litígios...
Meus rios correm mansos por seus destinos...

Desapercebido, sou a sombra que saboreia os restos...
Como a sereia, que sem partitura se perde na feira...
Os estivadores e os marinheiros não a desejam...
Como o vampiro que vende veículos no varejo...

Ou como ciclopes que em Enciclopédias se multiplicam...
Ainda tenho amigos que não voltaram: os denomino:




Venham sim, hoje é dia de abrir as porteiras...
Vamos assim, inundar de sementes os campos improdutivos...
Irradiar esse sol que trazemos peito, que temos ativo!
Nossa granada, que vem de uma era repleta de grãos,
Como a espiga granada... rellena!

Venham famílias, mulheres, ancianos, ocupem...
Assaltem aos céus dos Deuses desesperados...
Ergam bandeiras, aqui há um vazio...
Descubram cada espaço estéril...

Desvendem os mistérios da força dos latifúndios...
Enraizados estão na raiva de um povo!
Os fazendeiros são portugueses ainda...
Declaro aqui, meu ódio aos maçons e aos lions club...
De antigos costumes imundos, ainda estupram mucambas...
Ainda se educam no sangue da classe operária!

Venham, destruam essa ordem perfeita...
A porteira de ouro da classe burguesa...
Declaro aqui minha ira fecunda...
E peço forças para esmagar cada injustiça...
Não vou pedir paz, quero a guerra, quero a chama de cada batalha...
Quero que ardam em cada fogueira aqueles que nos queimaram a vida inteira...
Olho por olho... dente por dente...
Fui educado com um colar de bombas...
Não peço que me compreendam...

Desejo o sangue, beber cada hemoglobina de meus inimigos...
Os cristãos durante séculos nos machucaram...
Sangraram cada virgindade de nossas meninas!!!
Queriam ver se um negro tem alma...
Queriam saber se um índio reclama...
Quero pintar com minhas fezes, cada museu de imagem...
Quero morte aos patrões... na pré história da humanidade eu lhes enterro
Quero que Exu, me domine... que Ogum abençoe cada bala de meu fuzil
Quero que morram de câncer os filhos de quem nos encharca de veneno todos um dia um pouco!
Quero ver os olhos cegos, entorpecidos, o cérebro louco de meus inimigos...
Eu declaro guerra a quem finge me amar...
Tenho e pertenço a uma CLASSE, que morram todos os pós-modernos...
Pego Mao Tse Tung e me protejo...
Que me persigam, vou foragido pelas fronteiras...
Alguém tem que chamar as coisas pelo nome certo!
Sou voluntário...
Me apedrejem então, quem for o mais forte...
Não tenho medo!
Sei que a massa um dia atropela seus verdugos...
Ah e nesse dia, seremos todos dias de festa

Temos logo que erguer nossos exércitos. Unifica-los...
Preparar para a batalha que já é a cada dia... e perdemos sempre um pouco...
Acumulando rebeldia!

Quero pegar na metralha... atirar com vontade sobre cada guarda soturno, encontrar os chefes escondidos, covardes!

Quero desfilar minha entrega na praça...
Pintar-me no sangue de cada moscardo!
Enfiar pelas tripas de cada papa, meu sabre enferrujado, para machucar todo por dentro...
E sorrir de ódio como um homem que enlouquece em êxtase eterno!
Quero, quero manchar minha água, pintar de vermelho essa carne murcha!

Me julguem, me estapeiem, me prendam...
Firmem o atestado de minha falência...
Quero explodir o palácio... detonar cada muro que nos impede o passo!

Não quero... vou!!
Anuncio em letras escarlates...
O cão que late...

Nenhum treinamento, apenas ódio que acumula nas massas... como fermento...
Nenhuma receita, apenas instinto que se multiplica... como insetos!
Nenhum traço de areia, apenas água e cimento, absoluto concreto!

Meu poema explode, se materializa a ameaça!
Em seus aposentos formulam minha mordaça!
Não me atrapalha... nem me confunde... apenas infunde a mira de minha palavra direta!

O alvo ta claro...