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20 de fevereiro de 2011

Passou o tempo querida!


Passou querida, passou o tempo do medo!
Lembre, já passou o tempo do espanto!
As vozes nos assustavam...
Já não percebemos mais...
Os deja-vus são freqüentes e cotidianos,
nada revelam.

Passou o tempo do impressionar-se
com todo desejo materializado
e com as certezas da intuição.
Não importa, agora são regras estabelecidas!

Passou o tempo daquela alegria ao ver a magia.
Ela agora esta todo dia, no balde de roupa...
Na tina! Como o brilho de seus olhos...
Ou a família!

Passou o tempo do sonho, dos desafios.
Tudo já foi conquistado, todos os mares
e a ilha desconhecida já é habitada
por marinheiros rebeldes, que envelheceram

Passou o tempo querida.
Passaste-o comigo!

Passou o tempo da raiva enfurecida...
A morte ficou de lembrança da vida.
Passou o tempo de ressuscitar, de reconstruir,
de reerguer todo um castelo todos os dias,
eterno.

Vencemos os labirintos
Mastros erguidos no continente
E nos satélites.

Passou o tempo do riso...
Como rio incontido e turbulento

(e dizem dos rios tão violentos)

Passou o tempo do verbo,
que inevitável se faz carne
Agora já não cronometro
Passou o tempo da percepção do espaço!
Passou o barão, o saltimbanco, o palhaço...
Passaram as classes...

Passou o tempo do arrebatar-se,
da experiência concreta
e das esquinas do Alzheimer

Passou o tempo da eternidade...

Passou o tempo do encantamento,
Do carnaval
Da mágoa, da ressaca...
Passou a saúde...
Acabou a historia
E o tempo de ser perfeito

Passou o tempo da pulsação supernova,
Do buraco negro, o tempo do equilíbrio...
O universo se desencanta.
Passou o tempo das marés
que seguem a lua como cordeiros
Passaram os terremotos...

Passou o tempo do orgasmo,
do reencontrar-se eterno
Por todas as vidas que se sucederam
Sempre nos vimos... Inevitável!
Gêmeas e Sagitários!

Agito os dados...
Repetem-se os dados...
Monos eternos datilografam
Eis então a obra completa
Na enciclopédia dos séculos
Genética caótica e estrábica!

Passou pela estrada em alta velocidade...
Diziam: “- No Pasaran!”
E passaram...

E agora? O que há?
Me perguntas!

Passou o tempo do questionamento...

Eu silencio...
Silencio, porque passou o tempo das respostas...

Como acabou também o tempo do silêncio!

Beije-me apenas...
Beije-me apenas, de novo...
Por mais uma era!