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23 de fevereiro de 2011

O Albergue Anarquista




O Albergue Anarquista

Vem cá, respira camarada!
Deita na pedra, desaperta o cinto,
Tomaste um tiro da vida
Na verdade, uma rajada!

Mas és bonito!
Mesmo explodido
Pela granada...
Escrevo pra sua alma,
Murmuro ao pé do ouvido!

Então se acalma... da guerra
Apaga a lucidez da luz...
Ainda não é a hora
(escuta o poema) Espera...
Expande os alvéolos...

Enfim, respira
Mantenha-te vivo! Ordeno!
Vieste da longa jornada
Barbado...
Descansa, apenas respira, acalma...

Eis me aqui, seu irmão
Protegendo-te da febre...
Desaba aqui em meu colo,
Enfim, fecha seus olhos...

Encosta o escudo e a adaga
Já entramos no castelo
Subimos pelas escadas
Então apenas escuta
o som daquela cascata!

Eis aqui tua estrela... que sempre brilha...
Escuta essa ave Maria soada na flauta
Eis sua canção, a sinfonia da estrada...
Respira mais fundo... mais fundo...
Mais fundo na alma

Aspira o sabor da flor...
Isso, agora apaga a vela...
Mais fundo!

Dorme tranquilo...
Condor andarilho das cordilheiras, flutuas...

Aquieta o coração que palpita,
deixe embalar na cantiga
Lavamos as patas e seu cansaço...

Toma seu lenço, encobre tua chaga
Enxágua esse rosto ferido
No remanso desse regato, dispa a farda...
Desembarace das tramas seu sorriso largo...
Deita aqui... agora jogaremos búzios...

Fazemos a oração dos antigos,
da velha caipira que fuma
Da benzedeira que fomos, da maga
Que valsa na fogueira acesa...

Descansa compadre, sossega, apazigua
A mágoa que ferve...
Destila o veneno ofídio,
Esvazia toda essa lágrima...
Que cirze os rins junto à raiva
Leremos juntos os Miseráveis...

Derrama, desarma, desmancha...
Descanse-se Sísifo! Deixa rolar a rocha,
Desaba!

Repita conosco esse mantra,
Toma da manta e do trigo...
Se cobre da fome e do frio...
Ao filho, nos braços, damos abrigo

Dormiu Jean Valjean na rede...
Eis ai um homem cansado!
A vida lateja frágil
Agora, é manter o ar limpo...
O fogo aceso com sebo

Eu guardo, velo, sustento
e selo a ferida com saliva e banha de lagarto.
Eu zelo por ti amigo
... Desaba, confia!
E para sempre, respira!