Poemas no e-mail

29 de janeiro de 2011

Don Durito




Venho cá nesta fonte
Com as mãos formadas em conchas
Buscar um recheio de água
Que preencha de espuma
E de confiança que falta

Venho cá nesta fonte
sugar néctar que necessito
(Inspiração ou afeto)
engarrafar a ferida
alimentar a fornalha
Portinari retirante e clandestino
agachado em meu leito, pede água

Venho cá nesta fonte...
Tão humilde quanto escravo
Descrevo os olhos que tenho
Escaravelhos são sábios

Venho cá nesta fonte
Co’ a alma arqueada em cunha
Arrancar com as unhas
ou garras
Molécula d’água agarrada
eletricamente ao átomo

Do jorro que sobra
Encho a jarra vazia
Dou de beber ao cachorro

Deixo que o vento me invada
Enxadas na propriedade privada
de vida...

Venho cá nesta fonte
para matar a sede
Dar de comer ao homem

E nada mais...