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6 de janeiro de 2011

Segundo Parto no Canadá: Bem vinda Luisa!

Ontem às 5:45 acordei com um barulho e uma mexida na barriga, tipo um "TUM"! Achei até que tinha dado um pum bem grande, mas tava com uma contraçãozinha e levantei pra ir ao banheiro... quando levantei começou a cair água no chão!!!
Acordei o Dave e comecei a me arrumar correndo, fiquei bem nervosa porque todo mundo me falou que o segundo filho nasce na metade do tempo do primeiro... Gabriel nasceu em 3 horas, mas 10 minutos depois que a bolsa estourou achei que ela ia nascer em casa!! Quando entramos no carro, respirei e falei: “- Ok, vou me acalmar, vai dar tudo certo, ela não vai nascer no carro!”
Fomos eu, Dave e Gabriel para o hospital, eu tinha contração a cada 5 minutos. Cheguei no hospital por volta das 6:30, me colocaram na sala de triagem para ser examinada. A enfermeira fez o toque e disse que eu estava com apenas 2 ou 3 cm de dilatação... pedi a peridural e ela disse que eu precisava dilatar mais... me virei de lado e relaxei todos os músculos do corpo para não sentir tanta dor. As contrações eram brutais e vinham a cada 3 minutos!!
A enfermeira tinha saído à apenas uns 15 minutos, talvez nem isso... eu senti a Luisa descendo e meus ossos abrindo, falei pro Dave chamar a enfermeira rápido que ela tava vindo! A enfermeira veio tranqüila, me examinou e falou: “ - Definitivamente mais de 3cm! Já tem 6 cm de dilatação!” Então ela resolveu correr!! Veio uma outra correndo me colocar no soro, eu pedi a anestesia de novo... falaram que iam me dar na outra sala... e eu sentindo a menina chegando! Elas estavam com pressa, mas eu falei: “ - Estou empurrando!!!” Elas me olharam e gritaram: “ - Não! Ainda não!! Respira!” Mas não era eu.... meu corpo ia sozinho.
Elas entraram numa correria desvairada, me tacaram na maca e me levaram correndo para a sala de parto... cheguei lá já fazendo força involuntária quando tinha contração, e elas desesperadas: “ – Não! Respira comigo, vai, longo, lento e profundo!”
Claro, a médica ainda nem tinha chegado, e eu pedindo a peridural. Elas disseram que pelo visto não ia dar tempo... a enfermeira fez o toque de novo e falou: “ - Chama a doutora rápido que ela já esta completamente dilatada!”
A médica chegou super calminha, um amor, eu ainda sem dar um grito, deitada de lado tentando não empurrar e relaxar. A médica disse que não daria tempo de tomar a peridural, eu já estava fazendo força e a bebê estava vindo... bom, nessa hora eu pensei - FUDEU!
Gente, eu me virei de frente e falei: “ - Ok, então vamos lá!! Se eu desmaiar não quero que tentem fórceps nem vacum, vamos direto pra cesariana!” Ela respondeu: “ – Ok!” Eu disse: “ - Quero tentar puxar sozinha e não quero que tirem a bebê de mim, coloca ela direto no meu colo, pele com pele!” Ela concordou: “ – Ok, se ela estiver bem eu não tirarei, só tiro se ela estiver com algum problema.” Respondi: “ - Ok, então vamos lá!”
Esperei vir a contração. Veio, fiz força, toda que eu pude! a sensação era a de um cocô gigante entalado, prestes a arrebentar todas as minhas pregas! Parei de forçar, morta de cansada, a médica falou, mais uma vez e mais uma: “ - Quero três forças a cada contração para a bebê descer.” Forcei mais duas e perdi as forças... eu sentia tudo! Horrível! Sentia a cabeça dela abrindo meus ossos de trás, achava que seriam os ossos da frente, mas não! são os de trás que se abrem!
Disse para a médica: “ - Acho que ela esta vindo errada, sinto que ela vem pelo meu bumbum, ou então preciso ir ao banheiro!” A medica respondeu: “ - É assim mesmo, a cabeça vem de trás e só no fim se curva para a vagina.”
Eu estava calma, conversando normal e ate olhava pro Dave e sorria pra ele não ficar muito nervoso, mas com muita dor!
Outra contração, forcei tudo que podia, quando parei deu um teto preto danado, pensei: “ - Eita, vou desmaiar!” A enfermeira me colocou no oxigênio mas nem deu pra ficar muito tempo, porque logo comecei a forçar de novo...
A médica falou que já conseguia ver o cabelinho dela quando eu forçava. Me empolguei com isso! Respirei fundo antes de forçar e fui com tudo! Na terceira vez senti que abriu de vez e senti a cabeça dela passando entre meus ossos, a medica falou: “ - Veio! já passou a cabeça. Força devagarzinho agora!” Ouvi e obedeci, forcei de leve e senti um tranco forte, a cabeça passou, agora força de novo pra passar o ombro. Forcei com tudo, senti direitinho os ombros dela passando. Eu não conseguia ver por causa da posição, mas sentia exatamente o que estava acontecendo!
Jesus, de repente saiu tudo! PLOFT! Caralho! doeu muito! a sensação era a de não ter mais nenhum órgão dentro de mim! que meu útero tinha saído junto, e a periquita ardia tanto que eu achei ter rasgado tudo! me deram a Luisa, toda sujinha com sebinho branco, eu fiquei olhando pra ela meio desconfiada, e uma sensação estranha, a gente fica ali olhando, gosta mas sei lá, não registra na hora...
Perguntei para a médica se tinha rasgado tudo, ela disse que não, e chamou o Dave pra cortar o cordão umbilical, ele cortou. A medica puxou o resto da placenta de dentro de mim, senti mais coisa saindo! Credo!
Coloquei a Luisa no peito e ela mamou na hora, ela não chorou, só fez uns barulhinhos... eu olhava em seus olhos e via que assim como eu, ela estava tentando se situar do que estava se passando. A enfermeira só jogou um paninho sobre a gente e colocou a toquinha dela, me explicando que eles perdem muito calor pela cabeça.
A medica falou: “- Ela esta bem, rosada e saudável, fica com ela o quanto quiser e eu a pego logo que você liberar, para medir e pesar, bem aqui nessa máquina ao lado.”
Gente! critiquei tanto a conduta deles aqui no Canadá, mas ao final, achei muito melhor que no Brasil! Tudo natural! Não sugaram o nariz dela, nem deram banho, nada disso, ela ficou ali comigo toda ensebadinha e a gente ficou se conhecendo. Dave do meu lado a acariciava também. Ela ficou quentinha rapidinho porque estávamos pele com pele.
Dave foi chamar Gabriel na sala de espera. Gabriel chegou e ficou muito emocionado com a irmãzinha, mas disse que só queria a pegar depois que ela tomasse banho.
Curti ela um monte, a médica sentadinha do meu lado esperando sem pressa.
Depois que a Luisa já estava calminha eu a entreguei para o Dave segurar um pouco. Ele a pegou super direitinho e ficou com o olhar mais terno que já vi na vida, depois ele a entregou pra médica.
A enfermeira veio me examinar para ver a quantidade de sangue que eu estava perdendo, Dave já não me via, estava vidrado na Luisa, que nem um cão de guarda. Enquanto isso, a médica a pesava e fazia todo o procedimento.
Dave nem se mexia, nem piscava! A cena muito bonita. Gabriel tirava fotos.
Entregaram-me ela de novo.
Alice, minha irmã, chegou pra assistir o parto! Hahahaha!
Bem, foi assim! Dormi no hospital porque eles nos examinam a cada 3 horas, por 24 horas... mas por não ter tido cortes nem anestesia, pariu acabou! Não tem mais sofrimento! Muito melhoooor!
Luisa nasceu dia 28 de dezembro, as 8:25 da manha, em apenas 2 horas e meia de parto, parto perfeito, sem lavagem, sem coco, sem cortes! Pesando 3.145 kg, com 50cm.
Linda, saudável, boazinha, fofa e tranquilinha!
Já estou em casa com ela, andando normalmente como se nada tivesse acontecido, nem sinto que acabei de ter filho, foi que nem cachorro mesmo! Ela é bem calminha, quase não chora, se eu colocar, ela fica no berçinho super na boa, mas nunca coloco! Ela me olha concentrada quando eu converso, e já nos segue com os olhinhos.
Estamos todos babando, Gabriel se sente meio paizinho, quer ajudar em tudo! Fica o tempo todo ao lado dela. Dave já aprendeu a trocar fralda, colocar para arrotar e tenta conversar com ela, mas fica a olhando mudo, contemplando e não sabe o que dizer. LINDOS!
Estamos em perfeita paz e harmonia, nunca fui tão feliz em toda minha vida!
Ela é linda de verdade! Não nasceu amassada, tem um nariz arrebitado e boca de coração, olhinhos levemente puxados e sobrancelhas pra cima, queixinho comprido com um furinho no meio... resumindo, é a cara do papai!
Beijos em todos, com carinho,
Juliana