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2 de abril de 2011

الافراج عن البيانات - عازار


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Avisai-o! Ele ainda não sabe,
Mas cremos que já suspeita!
A obra está quase completa,
Mas vejam! Falta um acorde.
Percebam, é imperfeita!

O barro ainda sem molde,
A peça vai sem recheio...
Sussurrem seus devaneios,
Conduzam seus pesadelos!
Toquem o lóbulo esquerdo
Com a ponta dos dedos,
Mas não o acordem, é cedo!

Divirtam-se antes da queda
Icem as velas, provoquem incêndios
Lambam-lhe as labaredas
A língua e os lábios na terra,
O magma pelas veredas,
Piruetas sobre o abismo!
Os olhos repletos de areia
e fumaça. Quem sabe
de seu Destino? Em transe
balança na prancha o segredo!

Cimitarras na gávea,
Apontam para as pedreiras!

Cansados, eu sei... ele já deita
No sonho, avista o rochedo
E as ondas eternas
Caminha por sobre as pedras
Como cegos e profetas, tateia!
O barco nunca naufraga
Se desafias os deuses

Não meçam esforços
Falta um capítulo!
E nada sabe o caminho
O louco viola o medo!
A obra da vida inteira
Avisem-no, falta um roteiro!
Falta-lhe um mapa!
Um símbolo!

Simbad sugere sigilo!
Ele ainda não sabe
Que desde o início
em hipnose se dobra
Na rota do precipício!

Apenas lhe sigam,
Espíritos o protejam!
Ele vai se jogar...

Az-zaHar!
Assim aprende a voar!


AZAR - Nas línguas neolatinas (aquelas derivadas, como o português, do latim), esta palavra tem duas acepções de emprego, significando ela, seja “desgraça”, “infortúnio” ou “fatalidade”, seja “casualidade”, “acaso”. A origem do vocábulo, porém, é árabe - sendo a forma portuguesa uma adaptação fonética da palavra az-zaHar. Na língua árabe, az-zaHar é o nome que se dá ao “dado” - o pequeno cubo numerado que se emprega nos jogos. Neste exemplo, observa-se que nas línguas neolatinas a forma fonética do árabe se conserva, e que o sentido semântico primário, referente ao dado, se perde - ou, como também se pode argumentar, que seu sentido se mantém, mas deslocado, visto que é comum o jogo de dados - que se baseia em fenômenos casuais - redundar, para o perdedor, em infortúnio (latim infortunium, quer dizer, “ausência de [bom] destino”) ou desgraça (do latim disgratia, “má retribuição [dos deuses]”).