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2 de maio de 2009

Como um temporal silencioso

Qual tempo terei?

Quanto tempo me resta, a metade de minha vida já foi vivida.
Olho para frente e vejo uma única e grande porta.
È por ela que adentrarei.
Indubitavelmente
Por aí caminho... é a ela que desejo, temo, hipnotiza-mo-nos...
Sei que esta porta, me leva a caminhos plenos... E dentro de mim...
Muitas lembranças deixadas para trás.
Parto. Sigo, é a hora da colheita, e colho...
Sei que muito triste, os frutos não serão saboreados por mim, e talvez pisoteados por outros.
Talvez seja esta a mágoa que carrego.
De semear em muitos lugares sem saber onde renasceremos um dia.
Mas um belo dia, confiaremos.
Parto, me vou, e sei que as contradições e pensamentos se alastram como incêndio.
Quanto tempo me resta...
Tarefas por realizar, é uma espécie de morte.
È uma forma de dar-lhes o que ainda não sei.
Quanto tempo me resta?
Quanto tempo terei?
Aproxima-se a hora da partida, e tudo que foi lançado ao vento, retorna numa tempestade, e meus olhos se atordoas...
Não viver a revolução cotidiana, nos condena para os próximos passos, e como num vício, como numa necessidade orgânica, nos repele, nos imulsiona a diante em profusão difusa...
Confusos, seguimos os nossos velhos instintos, supostos princípios envelhecidos.
E minha raiva vai se condensando, ... observo-me demasiadamente carente.
Não consegui fazer com que ninguém compreendesse meus sentimentos.
Que pena, morrerei em silêncio, me fechando quase que para sempre...
Me fechando, me embrutecendo, e deixando a leve luz que me ilumina resguardada para renascer no momento próximo a morte...
Quando eu puder lançar as sementes...
Quando perceber a terra fértil...
Sabendo que tenho uma pequena reserva...
Tenho um egoísmo que não compreendo, um pequeno medo de me abrir...
Estou triste...
E chovo. Como um temporal silencioso.