Poemas no e-mail

2 de maio de 2009

O patrão te observa, perceba...

Profecia número 14

Pressão, tempo, ... componentes na formação do carvão bruto eternizado... Paixão, vento, ... elementos ácidos para transformações químicas....

Acalma-te, deixa esse leve ar entrar em seu peito... Mistura-te com as feras que te habitam. Em verdade, doma-as! Palavra de amizade, carinhosa... embebade-te com sua saliva, sinta a respiração do planeta...

Suave permaneça-te, olha-me nos olhos como um homem, apaixona-me...
Concentra-te em silêncio, exploda seus vulcões no interior de seus ouvidos...
Ela virá, a terceira, a quarta... a milésima e infinítica onda...

Esse é o redemoinho dos tempos, essa é a canção mais antiga...
Conhece-a desde há muito... Foi ela que embalou-te o primeiro sono...
Chega ao fim desta próxima jornada... Abraça teu cachorro...

Mira a mulher nos olhos... sinta-a!
Não são emoções incontroláveis... Este é tu, o homem que te acompanha...
Esta sombra que projeta... Engole tua parte, deglute...
Digere... saibas que não toma de quem nada tem...
Ninguém nada tem!

Palavras, essa irmãs mais frágeis do vocabulário...
Saiba que tu estais sendo trabalhado a tempos eternos por antigos calendários...
Não fujas, não adianta, um dia entrega-te a essa paz que as vezes trazes...
Este medo que tens da morte é coisa ligeira... Ela não te acaba nunca. Assim como nada te acaba.

Sim, sinto sua cabeça pesada, confusa, sou um velho irmão que aparece nas noites de lua mais mansa... Não faço pactos, nem promessas... Escuto-te as lamúrias que lanças em silêncio aos diabos domésticos, aos fantasmas.

Não precisa me escutar, tenho o velho aroma de couro curtido...
Sombras, já não sou nada, no simples espaço de um poema, me desfaço...
Fugaz, na manga um ás... fantasma, pulerizado no ambiente de seu quarto...
Sombra que se desfaz, fecunda-te de pensamentos... Não é mais!
Perde a pista, buscas em vão, não sou paz!
Não vim para trazer as flores, trago a espada!

Debaixo da cama, por entre as frestas dessa construção antiga, por todos os poros, pelas células, pelo aparelho televisor... Não me vês, mesmo que sinta o peso de minha respiração rítmica ao seu lado...

Baixo! Ocupo o espaço vazio desses latifúndios, não tenho culpa se me evocaste...
Aqui estou, para escutar seus desejos... satisfazer-lhes... Pobre homem, aquele que não conhece seus sonhos, pobre do homem que evita a realização dos mesmos...

Passou o temporal... o tempo se escorre, levando consigo suas sementes...
Tu mesmo o sabes bem das vezes em que trancaste seus filhos num armário. Saiba que eles cresceram e se alimentaram das larvas, beberam pelas goteiras... canibalizaram-se...
Longos anos se passaram, resta um único rebento.

Este mesmo, o de olhos vermelhos, aprisionado, o mais forte e violento. O que foi banido da luz... Esta é a regra, nada morre por inteiro... Nunca.
Pela lei, é dele o direito de escolher as armas, é ele quem tem fome... Todos os direitos ao homem que tem fome... A prole amotinada, incontida, irreprimível por qualquer regra...

Rebenta a tropa, o rebanho se espalha ao som da última corneta...
De pé, erguida a cabeça... Julgado serás neste momento, e toda a dor há de surgir...
São os fetos afogados na água da privada, são afagos negligenciados aos corpos de suas amadas... é o copo de água que foi negado a quem tem sede.

Sou eu, o vingamento dos frutos que enterraste, o cavalo sem celas, indomado.
O fogo nos olhos de todos os animais, o lobo, a serpente, a força eterna do que se faz em tempo, no tempo certo das primaveras.

Abraça-me, sabes que chegará a hora, te espero sem pressa, sem ânsia, te espero como um velho amigo, para a hora do chá, para tomar o mate, fumar o tabaco... Se pensas que a culpa não te acompanha, espera para conhecer os resultados de sua covardia...

Mais ainda assim, saiba que te amo, isso que digo, longe de ser uma ameaça, é um presságio...
È o irmão mais velho te avisando das trombetas do tempo, é a mãe caridosa, o pai amistoso...

Esquece...
Me fui,
Só um sonho, ruim é certo.
Mas um sonho...
Talvez um mapa,
Um delta de rio,
Olvide,
Foi só o revide,
A reação...
O aprendizado,
O caminho sendo percorrido...
Se esses sinais chegaram até a ti...
Entenda-os como a voz que a todos ecoa...
No final dos tempos, no início da vida...

Longos dias virão...
Sabedoria...
Lá fora te chamam para tomar umas cervejas...
O patrão te observa, perceba...