Poemas no e-mail

2 de maio de 2009

Esconda-se, esconda-se minha princesa...

Cada qual em frente a sua caixa, sem entrar nos detalhes
O Som das bombas do lado de fora, como se fosse a final de um campeonato
E em meu quarto eu escondo as lágrimas...
As vezes eu gostaria de ter uma passagem para o tempo futuro, para o inferno.
Sair daqui, apenas assim, fugindo de uma solidão que ainda não tinha conhecido!
Esquecido no fundo de um navio...
Solidão, esquecido de mim, navegando para fora de mim!
Que buraco... cai definitivamente nesse buraco gigante... não estou assustado, sei que a morte é certa, e que preciso apenas esperar meu corpo ir enfraquecendo...
ainda em meio ao desespero, me dá alguma vontade de cantar, mesmo que seja uma música triste!
Cada qual em seu buraco!
Meu amor, foi uma pedra ligeira, que há muito transformou-se num pesadelo...
o que é o casamento, uma tortura de baixa intensidade...
Um parafuso sem rosca...
O que é essa agonia, essa melancolia que sinto ao lado de quem supostamente teria que sentir amor e que não consigo nem sequer mais olhar nos olhos, no que se tornou essa bomba... no que se tornou essa vida??
E onde estão as minhas botas ligeiras, onde estão minhas mãos velozes...
Sei que os cavalos continuam selvagens em meu peito e os tigres apenas adormecem empalhados em algum museu de minha virilidade!
Escrevo o testamento para o menino que virou pomada...
Sinto que sou um creme vegetal que serve apenas para fritar os miolos de algum verme...
Fosso... Fossa!
Parece-me incrível que tenha transformado-me nisso... essa massa amorfa que nem procria nem berra!
Em nome do que supostamente conhecem por amor!

Esconda-se, esconda-se minha princesa...
Por esses castelos, rondam as últimas feiticeiras...
Esconda-se, esconda o que pensa, esconda o que sente...
Tudo é terremoto depois que saem de seus lábios as palavras santas...
Esconda seu véu, esconda sua dança, mesmo que a mereçam, esconda-a...
Tranque no quarto suas antigas fotografias...
Não dance, não brinque...
Não mexa nas coisas bonitas!
Não seja inteligente, não seja elegante, não cace as borboletas...

Minha menina frígida, esconda o gozo, não gema, deixa que te penetrem sem resistência...
Não sinta frio, mesmo que o gelo derreta em seus olhos... não toque, definitivamente não toque em nada que te pareça sincero!

Vai, não volte para trás, não siga adiante,... apenas equilibre-se no tempo, apenas faça o tempo parar...
A felicidade é uma invenção da qual vc não tem o direito de desejar!

Não deseje, seja apenas a minha menina!

Vire uma peça de museu, vire um livro na estante...

Vire a cabeça de lado para que eu possa beijar seu pescoço...

Não sorria, não diga nada esta noite...

A lua vai sair mais uma vez brilhando, e peço-te para que afogue suas crias nessa poça reluzente!

Sabemos, todos, sem exceção que vc é linda, e que deves permanecer intocada para que entre os homens não haja nenhum impropério...
Assim como as constelações, permaneça apenas onde estás... estatuada!

Vamos te enterrar no quintal das maravilhas, vamos tecer em seu nome os versos mais lindos, desde que permaneças intocada em sua torre de marfim...

Vc sabe melhor que ninguém que seu suor é venenoso! Não o derrame...

Ficarei aqui a vida inteira, te clamando, te exaltando... e vc será sempre a minha esperança!